08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Alexandre, o grande


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Ideologia. Um simples vocábulo? Provavelmente não. A negação talvez venha porque a palavra carrega o amplo sentido da multiplicidade. Não goza na singularidade, afinal todos os “ismos” que compõem a política carregam em si uma forte carga intelectual. Independente de socialismo, comunismo, capitalismo, liberalismo, anarquismo e demais propostas, a tolerância é a bandeira principal que deveria permear idéias antagônicas.

A reflexão tomada encaixa-se com o que ocorre entre os Estados Unidos e Venezuela. País membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Venezuela negociou a compra de um aparato bélico de igual ou superior poder ofensivo em relação à Irã e ao Paquistão. Eleito com base na população mais pobre, Hugo Chávez expropriou grandes áreas de terra e ampliou o controle do Estado sobre setores da economia. Agora reeleito, o congresso assegurou “cartas brancas” ao líder para governar o país por 18 meses sem consulta ao congresso. Indícios de corrupção no processo eleitoral são inúmeros. Tudo por conta de um enfrentamento ideológico com o país de Bush, no qual denominam o “grande império do mal”.

Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim, e não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam o nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos à luz do dia e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. É porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada. Existe um câncer no país vizinho ao nosso. A ditadura “dos Castro” em Cuba indubitavelmente florirá com Chávez no país dos venezuelanos. A omissão por não ter a liberdade de expressão por parte do povo venezuelano trará conseqüências profundas.

Como o que ocorre no país do “ouro negro”, a pluralidade dará espaço à singularidade, o pensamento será único e findável. Pobreza de espírito, porque todo o pensamento fruto de reflexões e de opiniões tende a ser coeso. Traz a nós ideais e com eles a oportunidade da abertura do espírito.

Triste saber, enfim, que no mundo contemporâneo as doses Alexandrinas de aceitação ao diferente estejam tão escassas como a capacidade intelectual desses “neopopulistas”.

Heitor Vieira Nogueira - estudante - RG 40.263.996-0