09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Escolha errada na política


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Nós que fazemos parte da geração que saiu da ditadura militar sendo conscientizada da importância do voto e que podíamos escolher pessoas que poderiam dar um novo sentido para o povo brasileiro, e que a honestidade e transparência política seriam a tônica dos governos pós ditadura, se tivéssemos a consciência dos atuais acontecimentos seríamos mais críticos. Não existem parâmetros que definam a situação a que chegou o cenário político brasileiro. O descrédito a que chegou perante a população.

Devemos lembrar à classe política brasileira que não vivemos mais sob a lei da mordaça que existia no período ditatorial e que obrigava o País a engolir casos e mais casos de corrupção goela abaixo sem que se questionasse ou exigisse uma punição exemplar. Não existem mais os atos institucionais que, na verdade, eram formas de repressão governamental e que tinham por função calar as vozes das massas inconformadas com os descasos e os desmandos do governo. Os casos recentes de corrupção demonstram apenas que nós erramos ao escolher pessoas que não fazem jus ao cargo que ocupam.

Na verdade, os longos anos debaixo de ditadura levaram o povo a uma atrofia política. Na verdade, o Brasil retornou à democracia como um analfabeto político e, em pleno século XXI, ainda não aprendemos a dar valor ao voto e não conseguimos escolher nossos representantes.

A militância política se viu prejudicada ao ver seus esforços frustrados por algumas pessoas mal-intencionadas e que hoje desdenham daqueles que os puseram no poder. Ao observarmos o Lula de ontem e o Lula de hoje, veremos que, na verdade, todo aquele discurso em prol da classe trabalhadora, da moralização política e de um país mais justo era uma mentira de quem objetivava o poder.

Isto é, segundo a frase praticada pelo conquistador Hernam Cortez, os fins justificam os meios, ou seja, conquistar com bajulação as massas e depois abandonar o povo à própria sorte. Alguns anos após o fim da ditadura, o sonho das militâncias é substituído por desilusões, o que podemos citar a seguir:

O primeiro presidente eleito pelo povo, Fernando Collor de Mello, é derrubado do poder acusado dos mais diversos crimes políticos, só retornando à política em 2006 como senador da República. Descobre-se que Orestes Quércia, senador na época da ditadura, votou em favor do regime militar em voto secreto. Se nos esforçarmos, nos lembraremos de casos e mais casos e veremos que, na verdade, todo aquele movimento de esquerda só serviu para ludibriar o povo.

Valdir Roberto Gonçalves Mucherone - RG 20.496.557-3