09 de julho de 2026
Internacional

Morte de Jean Charles não foi crime

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - A morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, 27 anos, assassinado a tiros por policiais em uma estação de metrô de Londres em julho de 2005, foi um “erro mas não um crime”, disse um advogado que defende a Scotland Yard no processo iniciado ontem.

“Um erro grave foi cometido ao atirar contra ele, mas, em nosso ponto de vista, nem todo erro é um crime”, disse o advogado de defesa Ronald Thwaites. “A promotoria tenta ditar como e quando a polícia deve agir'', disse ele, acrescentando que, à época, a polícia agia sob um período de “insegurança extrema''. A Polícia Metropolitana diz ser inocente das acusações de “violação de regras de saúde e segurança do público” na operação que matou Jean Charles com sete tiros na cabeça.

Segundo a acusação, o corpo policial violou durante a operação a norma 1974, que obriga as forças de ordem a “zelar pela integridade inclusive de quem não é seu funcionário”. A decisão de julgar a polícia londrina pela violação de regras de saúde e segurança do público foi tomada pela Promotoria britânica com base em um relatório preparado pela Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês).

O julgamento, realizado no tribunal penal de Old Bailey, pode durar seis semanas.

John McDowell, que era o coordenador das investigações de terrorismo na época, disse que a polícia temia que os realizadores do ataque frustrado do dia 21 de julho voltassem a agir. A polícia passou a vigiar o condomínio onde Menezes morava após achar um documento de Hussain Osman, um dos realizadores dos ataques frustrados, apontando o endereço.

Para demonstrar as dificuldades enfrentadas pela polícia para identificar o terrorista, Thwaites mostrou ao júri uma montagem da foto de Osman com a de Menezes.

Ação mal planejada

A promotora Clare Montgomery disse ao júri que a morte foi resultado de uma operação “planejada às pressas”. “O erro resultou de uma série de falhas na elaboração de uma operação que fosse segura e razoável”, disse ela.

“A ação foi tão mal planejada que a população foi colocada em risco, e Jean Charles de Menezes foi morto por engano.''

Os promotores questionam por que Menezes pode deixar sua casa, tomar um ônibus e seguir até o metrô, onde foi morto a tiros por agentes. Os policiais que atiraram não serão chamados para depor.