09 de julho de 2026
Regional

Polícia espera laudo e MPT ouve trabalhadores da usina em Canitar

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Ourinhos - A Polícia Civil aguarda o laudo pericial do Instituto de Criminalística (IC) de Ourinhos (130 quilômetros de Bauru) para prosseguir com o inquérito policial que investiga as responsabilidades do acidente ocorrido na última sexta-feira, na Usina Ponte Preta em Canitar, região de Ourinhos.

Conforme o JC divulgou na edição de sábado, o acidente matou o motorista Luciandre Pavor, 30 anos. Pelo menos 11 funcionários se feriram. Maria Madalena Souza, 49 anos, e Franco Isac, 21 anos, sofreram queimaduras de terceiro grau e necessitaram de tratamento em unidade para queimados de Marília. Também em estado grave ficou João de Oliveira Júnior, 55 anos, com parte do corpo atingido pelas chamas e internado em hospital de Ourinhos.

De acordo com o delegado titular do município de Bernardino de Campos, Fernando da Silva Freitas, que responde interinamente pela Delegacia de Polícia de Canitar, o prosseguimento do inquérito policial depende dos resultados obtidos pelos peritos do IC. “Foi feito o boletim de ocorrência, estamos instaurando o inquérito policial, mas como nós dependemos exclusivamente das provas periciais, estamos aguardando a confecção do laudo para darmos prosseguimento”, explica.

Segundo Freitas, tudo indica que o incêndio teria sido provocado por um raio que teria caído em um dos reservatórios.

Entretanto, o delegado não descarta outra causa. “Mas tudo isso vai ser apurado. Inclusive se houve algum tipo de negligência por parte da empresa em não manter as normas de segurança necessárias”, diz.

O delegado explica que o pára-raios será um dos objetos de apuração. “O que vai ser objeto de apuração é se estava em funcionamento o pára-raio já que é uma questão de medida de segurança“, lembra Freitas. Segundo ele, o inquérito policial deve apurar se houve imperícia, negligência ou imprudência de alguém ou da empresa, e determinar as responsabilidades de cada um.

Representantes da Procuradoria Regional do Trabalho em Bauru estarão hoje no município de Canitar para colher informações sobre as causas do acidente. “Vamos despachar lá e conversar com o Corpo de Bombeiros para saber sobre a avaliação das causas do acidente. Vamos ver também o rescaldo da explosão e identificar trabalhadores que possam dizer alguma coisa”, revela o procurador Luiz Henrique Rafael.

Por enquanto, as informações que a Procuradoria possui são as que foram colhidas no dia do acidente. “A primeira análise parcial foi que, segundo informações dos bombeiros, eles (da usina) não tinham o laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros e não tinham um projeto de combate a incêndio aprovado e nem brigada de incêndio”, conta o procurador.

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‘Raio explosivo’

Existem algumas informações desencontradas a respeito do que realmente provocou as explosões e, por conseqüência, o incêndio que consumiu mais de 9 milhões de litros de álcool estocados nos reservatórios da Usina Ponte Preta. Inicialmente, cogitou-se que o fogo teria começado devido à explosão de uma caldeira. Posteriormente, a versão de queda de um raio no local passou a circular.

“Existem várias informações contraditórias. Ainda vamos checar”, explicou o procurador do Trabalho Luiz Henrique Rafael.

O laudo técnico da perícia e os depoimentos dos trabalhadores, que serão ouvidos durante o inquérito policial, poderão esclarecer a causa da série de explosões, seguida de incêndio.