09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O Supremo e o ministro negro


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Já é a terceira vez que há bate-bocas entre os ministros do Supremo Tribunal Federal e coincidentemente em todos os episódios tem a presença do ministro Joaquim Barbosa.Ele é negro e isto deve estar incomodando alguns de seus colegas naquele tribunal.

Nesta última discussão o ministro Gilmar Mendes teve a pachorra de dizer, sem falar por que, que o ministro Joaquim Barbosa “não podia pensar em dar lição de moral” lá no Supremo Tribunal Federal. Este ministro deve no mínimo vir a público e se explicar. A ministra Ellen Gracie, também do Supremo, fez um comentário que acabou saindo na Folha de São Paulo, de que o fato do Joaquim Barbosa ter sido o relator do caso dos mensaleiros ia dar uma notoriedade social para ele. Será que o fato dele ser ministro da mais alta corte jurídica do Pais já não é uma notoriedade?

O que está ocorrendo no Supremo e virando rotina é gravíssimo e pode estar materializando o preconceito enrústido e velado que existe contra os negros aqui no Brasil. No nosso País se admite que o negro se destaque no esporte e na música, mas quando o mesmo começa a se destacar em funções de alta relevância social e intelectual,sofre uma perseguição implacável. No entanto, fora as exceções, os negros brasileiros são desunidos e autofágicos entre si. Talvez pelo fato do nosso racismo ser disfarçado e cordial, a maioria dos negros não possue consciência de cor e muitos por desconhecimento e limitação intelectual, se insurgem e discriminam a própria raça. Daí surge aquela famosa filosofia que viro e mexe sou obrigado a escutar por aí de que “os piores racistas são os próprios negros”.

Se o que está ocorrendo com o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa fosse nos Estados Unidos, com certeza já haveria várias manifestações naquele País. No Brasil nenhum movimento até agora sequer se manifestou e tal iniciativa necessariamente não precisa partir do próprio ministro.

O Supremo Tribunal Federal teve uma ótima avaliação da sociedade ao aceitar a denúncia contra os mensaleiros, mas a partir do momento que se começa a perceber indícios de discriminação social e racial em seus quadros, a simpatia da população pode se transformar em repúdio. E o preconceito no Brasil só vai acabar com a união de brancos e negros conscientes. Entretanto, branco racista e negro que não gosta de negro devem ser presos e mofarem na cadeia entrelaçados com as mesmas algemas.

Pedro Valentim