08 de julho de 2026
Geral

Vestibular da USP terá avaliação seriada

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Cursar universidade pública é um dos maiores sonhos dos estudantes de ensino médio. A meta, atualmente, é mais fácil de se tornar realidade para alunos de escolas particulares que, na maioria dos casos, levam vantagem no quesito qualidade de ensino em comparação com os colegas das redes municipal e pública. Para tentar diminuir um pouco esta disparidade e incentivar melhorias na rede pública de ensino, o Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP) aprovou a implementação de um sistema seriado de avaliação, testes que serão transformados em pontuação extra que ajudará na hora do vestibular.

A avaliação ocorrerá sempre ao final de cada uma das três série que formam o ensino médio. O direito será restrito apenas a alunos de escolas da rede pública inscritas no novo sistema de provas. Após a execução dos testes, se chegará a um número de pontos que será incorporado à nota atingida pelo aluno no vestibular. Não existe data prevista para a novidade entrar em prática, mas a expectativa da instituição é que ela começe já no vestibular 2009. Seus moldes ainda também não foram definidos e estão em fase de estudo.

Esta será a segunda espécie de bônus que a USP irá oferecer para os alunos da rede estatal de ensino. O outro é sistema de pontuação acrescida, que já está em vigor. Ele estipula que o aluno de escola pública receba 3% de bônus após a contagem da pontuação atingida no vestibular. Ou seja, se aluno fizer 30 pontos de média final, a essa nota são acrescidos mais 0,9 pontos (3% de 30).

O sistema funcionou no último vestibular da instituição e provocou um boom de aprovação de alunos provenientes do sistema público. Das 11 mil vagas disponibilizadas pela USP todos os anos, 2.702 aprovados vieram de escolas municipais e estaduais no vestibluar do ano passado. Esse número cairia para 2.374 caso o sistema de bônus não estivesse em vigor.

Segundo o professor Eduardo Batista Franco, vice-presidente da comissão de graduação da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), que participou das reuniões que culminaram com a aprovação do novo bônus, a intenção é acabar com a idéia de que é praticamente impossível um aluno do sistema público ingressar na USP e, ao mesmo tempo, descobrir novos talentos.

“Existem escolas públicas que têm qualidade de ensino reconhecida, mas os alunos alimentam o estigma de que é difícil passar no vestibular da USP. Na verdade, pesquisas mostram que grande parte do alunos do Estado e do município fica de fora da segunda fase do vestibular por 0,3 ou até 0,5 pontos. Com esse bônus, além de democratizar ainda mais o sistema de seleção, acreditamos que os alunos e docentes passarão a se dedicar mais, o que pode incorrer até em melhoria na qualidade do ensino”, afirma.

Para Franco, em tese, os alunos da rede particular não sairiam perdendo diante na corrida por uma vaga. “Eles não se sentem prejudicados porque as notas de corte para a segunda fase são contadas antes do acréscimo da pontuação extra”, diz. No entanto, na segunda fase também são incorporados 3% de bônus na nota dos estudantes da rede pública.

Diversas universidades, inclusive particulares, utilizam o sistema de avaliação seriada. A maioria disponibiliza determinado número de vagas que são preenchidas exclusivamente por alunos que foram avaliados durante os três ano do ensino médio, com provas ao final de cada série. Na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), de São Paulo, desde 1997 50% das vagas são reservadas para essa modalidade de seleção. Instituições públicas como a Universidade de Brasília, Universidade Federal de Viçosa e Universidade Federal de Lavras também aderiram ao método.