08 de julho de 2026
Geral

Emei é ‘abraçada’ em ato contra vândalos

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de três dias sem aulas porque a fiação elétrica da Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Professor Isaac Portal Roldan, no Núcleo Octávio Rasi, foi furtada, às 8h de ontem, seus alunos faziam fila no portão de entrada. De acordo com eles próprios, a disputa era para saber quem entraria primeiro na escola para brincar, comer a merenda e aprender. É a rotina de meninos e meninas, cujos pais fazem sacrifícios para dar a eles a oportunidade de ter um futuro melhor. E para tentar sensibilizar vândalos que sistematicamente vêm roubando e depredando a instituição, ontem vários pais foram à escola e juntamente com funcionários e estudantes, deram as mãos e “abraçaram” a escola.

Durante os três dias em que as atividades na Emei ficaram suspensas por falta de energia elétrica, 180 crianças tiveram que ficar em casa, contra a própria vontade. O furto dos fios de cobre, crime já bem comum comum em Bauru, foi o ato que trouxe mais prejuízo à comunidade que utiliza os serviços da escola.

No entanto, antes disso, as pessoas que invadem as dependências da instituição durante a noite já haviam furtado todas as torneiras, quebrado diversos vidros e até mesmo espalhado lixo pelas dependências do imóvel que acolhe crianças e tenta despertar nelas a vontade de aprender e colaborar na busca por um mundo melhor.

Adriana de Melo, Cássia Gonçalves e Flávia Caperuto, na companhia de mais quatro mães, se encontram, todos os dias, no Jardim Tangarás, às 7h10 para enfrentar uma caminhada que dura até 8h, horário de entrada dos filhos na Emei do Núcleo Octávio Rasi. Como fazem o percurso de ida e volta duas vezes por dia, são quase quatro horas de caminhada, até mesmo por trilhas abertas no mato, para dar estudo aos filhos.

Na última quarta-feira, elas cumpriram a rotina pela manhã, mas quando chegaram na Emei, não havia energia elétrica. Então tiveram que retornar para casa com os filhos. “Uma vez a escola ficou sem água por causa dos vândalos. Deu para segurar. Essa (furto dos fios) foi demais”, afirma Adriana.

Tereza Cristina Dias Arantes, mãe de Peterson, 5 anos, repudia a atitude dos invasores da Emei. “Isso está demais. Nosso bairro já é afastado e esquecido e vândalos daqui mesmo pioram ainda mais a situação. É uma falta de respeito com as crianças que querem aprender”, desabafa a dona de casa.

Os colegas Ian e Lucas, dois dos que faziam fila para entrar na escola, refletem, de uma outra forma, o sentimento explicado pelas mães. Indagados sobre o porquê da fila, eles foram enfáticos em dizer que era saudade da escola. Na explicação sobre o motivo pelo qual gostam de ir todos os dias à Emei, os amigos se juntaram em couro para explicar. “Aqui tem um monte de coisa boa para fazer. Tem brincadeira, quiosque, escorregador. Tem comida gostosa, sucrilhos...”, citaram as crianças.

Segundo a diretora substituta da Emei, Liliana Caldas Thomazini de Freitas, a partir dessa união em prol da escola, podem surgir novas ações contra o vandalismo. “A partir disso, apesar dos alunos serem bastante pequenos (2 a 6 anos de idade), passamos a falar mais sobre o tema e explicar o que acontece no bairro e quais são os prejuízos que decorrem desse vandalismo”, afirma.