10 de julho de 2026
Regional

Em plena briga judicial por posse, hidroavião terá museu provisório

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - Para tentar apressar a Justiça, que deve decidir quem fica com a posse do hidroavião Jahu (aeronave em que o comandante aviador João Ribeiro de Barros atravessou o Atlântico há 80 anos), o sobrinho do aviador deverá ir na próxima semana a Cotia, junto com o advogado da família para detalhar ao juiz responsável pelo processo sobre o projeto do museu provisório que deve ser criado em Jaú para abrigar o avião.

A “briga” pela posse do hidriavião corre na Justiça há quase dois anos. A Fundação Santos Dumont e os familiares de João Ribeiro de Barros, mais a Prefeitura de Jaú, disputam judicialmente a responsabilidade de abrigar a peça histórica.

O sobrinho do aviador, Imael Ribeiro de Barros Filho, explica que a família não quer ficar com o avião, mas sim conseguir um local apropriado para que a peça seja exposta à coletividade. “Na realidade, a família não quer o avião de volta. Ninguém tem onde guardar uma peça dessas. E eu imagino a responsabilidade de alguém de ficar com ela, tendo em vista que pode acontecer qualquer coisa. É um bem que não é mais da família. É da coletividade porque é uma peça histórica e única. Não existe outra no mundo”, comenta.

Apesar de ser consenso da família do aviador de que a melhor solução é o avião ser levado para Jaú, o problema que existia, até então, era que não havia um lugar apropriado para abrigá-lo na cidade enquanto o museu que está sendo criado pelo município não fica pronto.

Agora, surge uma alternativa que, na opinião de Barros Filho, pode ser um ponto a favor para que o avião fique em Jaú. “A Prefeitura de Jaú e a família fizeram uma série de tratativas e conseguiu da Camargo Corrêa uma área onde funciona o Pólo Empresarial Jauense. Dentro desta área existe um galpão, que já foi vistoriado pela Secretaria da Cultura do Estado, junto com uma museóloga, e que abrigaria temporariamente o hidroavião enquanto o outro museu não ficasse pronto”, revela.

O Pólo Empresarial Jauense foi inaugurado em junho deste ano. Com capacidade para abrigar pelo menos 40 empresas, o empreendimento, de propriedade do Grupo Camargo Corrêa, fica próximo à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros.

“Esse museu é um projeto de comum acordo, a Camargo Corrêa está junto. Tem vários empresários juntos que vão fazer esses processos de captação de recursos incentivados para fazer o museu, uma coisa muito bonita, e nós vamos deixar o avião lá, além de todo o acervo”, detalha.

Cotia

Na próxima semana, Barros Filho pretende ir até Cotia, que é a Comarca onde corre o processo sobre a posse do hidroavião, para conversar com o juiz que analisa o caso. De acordo com Barros Filho, este já é o terceiro juiz que analisa o processo, o que estaria dificultando uma decisão.

“Eu estou para ir em Cotia, porque está correndo lá o processo. Quero conversar com o juiz e explicar sobre isso. Eu já fiz uma vez mas era uma juíza substituta, mas mudou e agora é o terceiro juiz que passa por lá e começa tudo de novo”, comenta.

O sobrinho do aviador explica que a ida do avião para este galpão provisório seria uma solução enquanto houvesse a captação de recursos para preparar o museu definitivo. “Eu gostaria de colocar agora para o juiz todos esses passos”, completa.