11 de julho de 2026
Regional

Estiagem traz prejuízo e fiéis oram por chuva na capela de Arealva

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Continuando a seqüência de escassez de chuva é provável que as paróquias da região iniciem novenas apelando aos céus por muita água. Na missa do último domingo, na Capela de São Pedro, em Arealva, o pedido de chuvas constou da lista de graças invocadas nas preces dos fiéis. O padre Luiz Eduardo Monteiro Fontana pediu e fiéis, como Celeste Gonçalves Pereira Lenharo, prontamente atenderam, sabendo da incerteza que muitos produtores vivênciam com a estiagem prolongada de até 70 dias em grande parte do Estado de São Paulo.

Há casos que a expectativa por chuva se tornou um drama. Com 150 mil pés plantados em uma propriedade de Piratininga, um cafeicutor, que preferiu não se identificar, conta os prejuízos. Seu cafezal está com o botão armado, à espera da florada que viria com a chuva. A regularidade de chuvas, que não acontece, completaria o serviço nos pés de café.

“A coisa está terrível”, salienta o produtor rural. Ele ainda evita falar no montante da quebra da safra. Porém, sua experiência antecipa o prejuízo: “A gente tem que esperar um pouco. Mas que vai ter quebra, isso não tem nem dúvida”.

O cafeicultor estima que os prejuízos serão imensos e faz contas para ver se o que sobrará pagará o investimento. “Por enquanto, é uma problemática e tem que aguardar, pois não tem outro jeito”, ressalta.

Drible na florada

O ciclo de chuva é importante para qualquer produção. No caso do café, um fenômeno que atinge todo o Estado, surpreendeu produtores da região de Bauru. A lavoura do cafeicultor de Piratininga ainda está em um estágio anterior. No entanto, ele relata sobre lavouras em que o pé deu a florada, porém não houve a seqüência de chuvas, o que ocasionou a sua morte.

Quando chove, as plantas entendem que está na época de florescer. Saem as flores, vem um calor de “rachar mamona”, mas não chove. Assim, o clima aplica uma espécie de “drible” no ciclo de desenvolvimento das plantas com perdas projetadas em até 20% nos cafezais da região de Franca. “Cada região está tendo um tipo de fenômeno. Só que está todo mundo prejudicado”, avalia o cafeicultor de Piratininga.

A aproximação do dia de Nossa Senhora Aparecida pode ser um reforço a mais nos pedidos dos fiéis por chuva. As comunidades da região agilizam os preparativos em homenagem à padroeira.

____________________

Leite seca e produtor amarga queda de 42%

A chuva em pontos isolados no meio da tarde do último domingo nem foi considerada pelo pecuarista Abelardo de Paula Brasil Neto. “Só baixou a poeira”, conta. A falta de chuvas acaba com o pasto e, por conseqüência, o gado leiteiro pára de produzir. Neto explica que sua produção caiu 42,85%. Ele produzia 700 litros por dia. Hoje, não passa dos 400.

O produtor conta que poderia ser apenas 100 litros diários se ele não incrementasse a alimentação do gado leiteiro. Neto alimenta os animais com ração, cevada e cana-de-açúcar. “A cevada eu dou o ano inteiro”, acrescenta.

Neto possui 130 cabeças, das quais 60 estão em período de lactação em uma propriedade em Bauru.