10 de julho de 2026
Nacional

Após sete anos e meio congelado, embrião gera bebê em Ribeirão Preto

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Ribeirão Preto - Após sete anos e meio criopreservado (mantido a temperaturas baixíssimas), um embrião foi descongelado em Ribeirão Preto e, dele, nasceu o pequeno Vinícius. Prestes a completar dois meses de vida, o bebê é o primeiro filho natural da dona de casa Maria Roseli Dorte, 41 anos - que já havia tido quatro abortos espontâneos -, e do mecânico Luís Henrique Dorte, 40 anos, de Mirassol.

O embrião ficou congelado desde setembro de 1999 no Centro de Reprodução Humana (CRH) de Ribeirão Preto, um recorde no País, segundo o ginecologista Ricardo Baruffi, que atua no centro.

De acordo com ele, a marca anterior era de seis anos. “A literatura médica não mostra o tempo que um embrião pode ser mantido congelado e se manter viável, mas agora sabemos que pelo menos com oito anos temos condições de ter uma criança com qualidade”, afirmou.

Para conseguir engravidar, Maria Roseli chegou a ingerir três comprimidos de Viagra por três dias seguidos, como parte do tratamento. O medicamento provoca vasodilatação, o que proporciona maior irrigação uterina, fazendo com que o endométrio atinja a espessura ideal para que o embrião possa ser implantado. Segundo o CRH, a causa da infertilidade dela era o fato de o seu endométrio ser muito fino, além da má qualidade dos espermatozóides do marido.

Vinícius nasceu aos seis meses de gestação, com 1,2 quilo e 36 centímetros, em 13 de agosto, em São José do Rio Preto. Ele está internado para ter ganho de peso e deve ter alta nos próximos dias. A mãe de Vinícius enfrentou problemas no pós-parto e passou 15 dias internada, mas disse não se arrepender do tratamento, que teve início em 1997.

Dos cinco embriões criopreservados, três sobreviveram ao descongelamento. Após a quarta tentativa sem sucesso de engravidar, o casal resolveu adotar Paulo, hoje com 8 anos. “Já estava nos nossos planos adotar. Não troquei um filho natural por um adotivo.”

Com embriões descongelados, a chance de a mulher engravidar é de 25% a 30%, índice que sobe para 40% com embriões frescos, segundo o CRH.