08 de julho de 2026
Auto Mercado

Dr. Automóvel: Ar-condicionado

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Quem diz que ar-condicionado é supérfluo, é porque não tem e deve ter uma tremenda dor de cotovelo de quem o tem, isto sim. Um dos equipamentos mais úteis em termos de custo benefício do automóvel é justamente o ar-condicionado, pelo conforto que proporciona aos ocupantes. Nosso clima tropical, o trânsito infernal e a insegurança de nossas ruas são bem melhor administrados com os vidros fechados e o ar ligado, não é mesmo? Aí vêm os urubus de plantão para falar mal, dizer que gasta mais combustível, que rouba potência do motor e outras bobagens do gênero.

É claro que todo equipamento ligado ao motor irá tirar potência dele, mas os engenheiros das fábricas não são bobos e sabem calcular bem o equipamento. O ar-condicionado de um Corsa 1.0, por exemplo, “puxa” de 2 a 3 CV do motor para acionar o compressor. Isto, de seus 70 CV do motor, representa de 3 a 4% da potência, o que pode fazer uma pequena diferença em uma aceleração ou ultrapassagem. Alguns modelos de fábrica dispõem de um sensor de aceleração que desliga automaticamente o compressor em caso de ultrapassagem, para garantir mais potência e segurança. Já um carro com motor 2.0, com cerca de 140 CV, dispõe de um compressor mais sofisticado e eficiente (mais caro, também) e que consome até 5 CV do motor. Fazer uma viagem em dia quente e poder chegar inteiro sem estar suando como uma cerveja gelada é um excelente benefício contra um pequeno aumento no consumo do combustível. Este aumento, em geral, é da ordem de uma unidade para menos, por exemplo: se o carro na estrada fizer 13 km/l sem ar-condicionado, com o ar ligado fará 12 km/l, portanto nada de muito assustador.

Como tudo que é bom precisa de carinho, o ar-condicionado não é diferente. Uma regra básica é sempre usá-lo nem que seja uma vez por semana, por 10 minutos. O motivo é que o sistema é lubrificado pelo óleo adicionado ao gás refrigerante, e este precisa circular para fazer a lubrificação. Caso o sistema não seja ligado regularmente, os retentores, anéis de vedação e mangueiras poderão ressecar. Mas e no inverno? Claro que dá para ligar, basta regular a temperatura para um valor mais alto, usando conjuntamente o ar quente. O importante é fazer o gás circular pelo sistema todo. Recomenda-se uma checagem anual para conferir o estado das vedações, carga de gás e estado geral. Isto é fundamental e deve ser feito em uma oficina de qualidade, pois mão de obra não qualificada trará problemas futuros. E qualquer coisa que quebre no sistema por falta de uma manutenção preventiva e relativamente barata, vai custar bem caro. Não se esquecer de verificar também o filtro de cabine, chamado também de filtro de pólen, a cada 6 meses. Este filtro, se usado em trânsito pesado ou poluído, pode entupir e impedir a passagem de ar fresco e consequentemente prejudicar a eficiência do ar-condicionado. Folhas de árvore, poeira, gravetos e outros objetos também atrapalham a passagem do ar. Se a limpeza ou substituição não for feita, poderão surgir fungos e ácaros devido à sujeira, contribuindo para alergias e problemas respiratórios nos ocupantes. Se os filtros forem trocados, mas a eficiência do sistema ainda não for a esperada, talvez seja por falta de gás no sistema, devido a algum vazamento. Este deverá ser localizado passando uma solução de água com detergente sobre todo o sistema, detectando o vazamento pelas bolhas que aparecerem. Corrigido o problema, será necessário dar uma nova carga de gás, retirando primeiramente todo o gás anterior usando uma bomba de vácuo e carregando o sistema com gás novo até a pressão indicada. Trabalhar com falta de gás faz com que o sistema funcione sem a devida lubrificação e pode ocasionar a quebra do compressor, que dá um prejuízo de pelo menos R$ 1.000,00. Portanto, se perceber que o seu ar condicionado não está tão eficiente quanto costumava ser, procure logo uma boa oficina e proceda a manutenção. Se não fizer logo, a conta poderá ser multiplicada várias vezes, pois aí não dá mais jeito.

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Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.