08 de julho de 2026
Regional

Agente é acusado de matar ex-esposa

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Pirajuí - A agente penitenciária Neiva Maria da Cruz da Silva, 41 anos, teria sido morta no último sábado pelo ex-marido Wanderley Rodrigues da Silva, 46 anos, que, ontem, confessou o crime em Pirajuí (58 quilômetros de Bauru). A delegada titular de Pirajuí, Rosimeire Bárbara, explica que a primeira linha de investigação já apontava, a princípio, o ex-marido, também agente penitenciário na P1 de Pirajuí, como principal suspeito do homicídio.

Ele foi ouvido anteontem, junto com outras pessoas pela delegada. O JC apurou que o trabalho de investigação fechou o cerco com indícios sobre a autoria do crime. Em seguida aos primeiros depoimentos colhidos, a equipe sob o comando de Bárbara fez várias diligências até o final da noite de anteontem. As investigações foram retomadas ontem por volta das 6h e prosseguiram até aproximadamente 13h, seguindo a hipótese de que Wanderley poderia ser o autor do crime.

No início da tarde de ontem, um advogado do acusado fez contato com Rosimeire dizendo que seu cliente gostaria de se apresentar pois assumiria a autoria do crime. “A gente fez novo interrogatório. De fato ele veio confirmar nossa hipótese de que seria ele”, explica.

Sem passionalidade

Para Bárbara, não se trata de crime passional. “Não acredito, porque passional é num momento de emoção grave. Passional tem que ter tido um desequilíbrio. O passo a passo dele foi todo premeditado”, argumenta a delegada. Ela explica que, depois de matar a ex-esposa, Wanderley manteve compromissos sociais no sábado, dia seguinte à morte da ex-esposa. Bárbara conta que Wanderley promoveu em sua residência um churrasco para amigos, onde um dos filhos que teve com a vítima, o de 13 anos, estava presente. Depois, à noite, o acusado de homicídio ainda ajudou em uma quermesse da igreja que frequenta. A falta de Neiva só foi sentida na manhã de anteontem, quando ela não compareceu ao trabalho na P2.

Wanderley pretendia reatar o casamento com Neiva. A delegada conta que o acusado relatou que procurou Neiva no início da noite da última sexta-feira, dia da morte da vítima. Ele foi à residência número 144 da rua Abel de Oliveira, na Vila Abel, onde a ex-esposa residia sozinha. Em sua versão à polícia, Wanderley disse que entrou, pois o portão estaria encostado. A ex-mulher o teria mandado embora porque buscava o convívio com outras pessoas e a retomada de uma vida social. “Não estaria nem aí para o que ele estava sentido. Ele se sentiu ofendido pelo grito de liberdade que ela deu, pois, dali para frente, ela iria viver a vida dela”, detalha a delegada. Novamente, Neiva mandou o ex-marido embora e teria ameaçado chamar a polícia.

Neste momento, surge a primeira controversia na história apresentada ontem por Wanderley. Bárbara conta que o acusado diz ter matado a mulher com uma arma encontrada na casa de Neiva. A polícia investiga o paradeiro da arma, um revólver calibre 38 da marca Taurus.

Crime

Com a reação negativa de Neiva, o ex-marido pegou a arma, enquanto a vítima teria ido pegar o telefone. Na sequência teria matado Neiva. “Numa discussão mais acirrada, ele disse que teria tomado cerveja, estava extremamente nervoso e com a atitude dela de não mais reatar definitivamente o relacionamento. Ele disse que nesse momento de desespero e extremo descontrole matou. Mas eu não creio pelo fato dele ter passado o sábado e domingo tendo uma vida social normal”, avalia Bárbara.

Outra dúvida que deve ser esclarecida em breve é o número de tiros que atingiram Neiva. A delegada explica que, em 20 dias, deve ter acesso ao laudo feito anteontem pelo Instituto Médico Legal (IML) de Bauru. Este exame deve apontar com clareza quantos tiros acertaram a vítima. Bárbara acrescenta que Wanderley disse que teria desferido dois tiros na vítima. A princípio, sem o resultado do laudo, a informação é que Neiva aparentava um tiro. A delegada acrescenta que Wanderley teria dito que atirou de frente para Neiva.

O investigador José Emílio Marmol e a equipe da delegacia foram, ontem à tarde, averiguar informações passadas pelo acusado sobre o paradeiro da arma. De acordo com os policiais civis, ele teria dito que jogou a arma no rio Tietê, da ponte conhecida como Porto Ferrão, em Pongaí. A delegada ressalta que as investigações continuam para tentar localizá-la. “E apurar se ele cometeu o crime sozinho ou teve co-autoria (participação de outra pessoa)”, acrescenta Bárbara. Ela ressalta que também não está descartada a hipótese de alguém estar guardando a arma para Wanderley. “Na casa dele nós já fomos e lá não está”, adianta a delegada. Ela explica que o acusado não soube precisar com exatidão o horário que efetuou os disparos, apenas informou que já estaria escuro. Em matéria do JC de ontem, foi apurado que o crime teria ocorrido entre 18h e 19h40.

Ontem, às 19h40, a Justiça da Comarca de Pirajuí decretou a prisão temporária, por 30 dias, de Wanderley Rodrigues da Silva sob a acusação de homicídio. Ele foi encaminhado para a Cadeia Pública de Avaí onde aguardará as providências da Justiça.

A reportagem obteve a informação de que Wanderley e Neiva tinham dois filhos, um de 21 anos e outro de 13 anos e que vivia com o pai que tinha sua guarda. Não foi possível saber quanto tempo o casal viveu junto. Após liberado pelo IML, o corpo de Neiva seguiu para Reginópolis onde foi sepultado anteontem.

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Questão de honra

“Isso foi uma questão de honra para mim e para a equipe da delegacia de Pirajuí, pois trabalhamos para que não ficasse mais um crime aqui sem apurar a autoria”, destacou Rosimeire Bárbara. A delegada se refere a outro crime que ainda permanece sem solução, ocorrido quando Bárbara não era delegada em Pirajuí. A jovem Nathália Cristina dos Santos Silva, na época com 19 anos, foi morta barbaramente no dia 2 de maio de 2004. Seu corpo foi localizado desfigurado da rua Nicola Franzé, na parte alta do Parque Santa Guilhermina. “A Polícia Civil não pode deixar mais um caso sem esclarecer. Apesar de terem trabalhado muito mais arduamente no caso Nathália, infelizmente não conseguimos levar ninguém à prisão. Esperamos que esse inquérito (da Neiva) tenha um desfecho bem diferente”, completa a delegada.