11 de julho de 2026
Nacional

Bombeiro conta que a tragédia na rodovia pareceu um furacão

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Chapecó - Sem perceber que um caminhão vinha em sua direção, o bombeiro Fábio Sturm, 23 anos, continuava o trabalho de retirada das vítimas do acidente envolvendo um ônibus e uma carreta na BR-282 quando ouviu uma buzina e gritos de desespero e foi jogado ao chão. Sem saber o que havia acontecido, tornou a retirar os escombros. Viu mais pessoas feridas ao seu lado. E, então, sentiu uma forte dor e desacordou. “Não deu tempo de pensar e ver ao certo o que estava acontecendo. Eu estava com outros colegas esperando o guincho e quando olhei para o lado vi pessoas machucadas. Mas, ao ajudá-las, vi que também estava ferido.”

Sturm foi levado às pressas para o Hospital de São Miguel d’Oeste. Ontem, foi transferido para o Hospital Regional de Chapecó, onde atendeu à reportagem. Totalmente imobilizado, com fratura na coluna cervical e sem conseguir mexer o pescoço, foi preciso sentar ao seu lado para ouvir o que tinha a dizer.

A entrevista foi rápida. Debilitado, logo parou de falar. Sturm passou a manhã fazendo exames e aguardando o diagnóstico da fratura. Ainda não sabe o que o atingiu. Ao lado do quarto de Sturm, a operadora de caixa Márcia Bortoli, 20 anos, outra vítima da tragédia, estava mais animada, mesmo com um ferimento grave, que pode até lhe causar a perda permanente dos movimentos.

Trafegando de moto pela BR com o marido, ela teve de parar com o congestionamento. Após descer do veículo, foi atingida pela carreta. Teve uma fratura na coluna. Os exames devem mostrar se ela ficará paralítica. “A gente reclama tanto da vida, mas só quando acontece uma coisa dessas é que percebemos que tem coisas muito maiores para se preocupar.” O marido saiu ileso.

O major Luiz Carlos Balsan, do Corpo de Bombeiros de Chapecó, disse que a cena “lembrou um furacão”. “Eram pedaços de pau, lata, carga voando. Um poeirão subindo.” Para o soldado Derli Borkovski, 28 anos, do Corpo de Bombeiros de Maravilha, “não tinha chegado sua hora”. Assim ele definiu o fato de ter escapado ileso do segundo acidente. Ele chegou ao local logo após o primeiro choque e entrou em uma ambulância momentos antes de o caminhão carregado com açúcar provocar o segundo acidente. Menos de um minuto depois, enquanto transportava duas vítimas, recebeu um chamado pelo rádio. “Volta, volta que houve outro acidente.”

Dos dez bombeiros de Maravilha que foram socorrer os feridos do primeiro acidente, um morreu e seis ficaram feridos - dois em estado grave. Borkovski disse que não houve falta de sinalização após o primeiro acidente. “Estava tudo sinalizado, tinha congestionamento nos dois sentidos.”

Entre as vítimas do acidente estavam oito pessoas que viajavam em um ônibus fretado e voltavam de um show do cantor sertanejo Daniel em uma feira em Chapecó.

Santa Catarina é, em números absolutos, o segundo Estado no ranking nacional de acidentes nas estradas federais em 2007. Até ontem, foram 10.615 acidentes - ou 11,5% dos 91.738 registrados em todo o País. De acordo com os dados da Polícia Rodoviária Federal, o Estado catarinense só perde para Minas Gerais - que tem 14.687 acidentes (ou 16%) -, apesar de ter só a 14.ª maior malha federal do Brasil (2.241 quilômetros). Em Minas são 11.426 quilômetros.