08 de julho de 2026
Bairros

Batalha baixa e estiagem já ameaça

Por Tisa Moraes | Colaborou Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A escassez de chuvas, aliada às altas temperaturas, está acelerando o ritmo de redução do nível do rio Batalha, que abastece 40% de Bauru. Nos últimos 12 dias, o nível do rio desceu 30 centímetros, uma média de 2,5 centímetros por dia. Há 15 dias, o registro de diminuição era de 1 centímetro a cada dia.

Por conta da estiagem prolongada – a precipitação acumulada deste mês é de apenas 4,1 milímetros – o Departamento de Água e Esgoto (DAE) já acendeu a luz amarela. Apesar de ainda não querer trabalhar com a possibilidade de racionamento de água, José Brazoloto, diretor da Divisão de Produção da autarquia, afirma que, se a falta de chuvas persistir por mais 20 dias, aumentam as chances de haver “problemas” no abastecimento.

“O abastecimento continua normal, mas estamos ficando preocupados. Ainda não pensamos em racionamento, mas se essa estiagem persistir, fugirá da nossa alçada”, alerta. Além disso, o calor, que não dá indícios de diminuir, tem agravado a situação, já as temperaturas elevadas intensificam o processo de evaporação da água do rio.

Numa tentativa de normalizar o nível da lagoa de captação, há cerca de um mês o DAE fechou as duas comportas da represa e passou a operar com apenas duas das três bombas que retiram água do rio. Há cerca de 20 dias, o extravasor, responsável por escoar a água quando o nível da lagoa excede ao normal, também foi fechado. Mesmo com essas manobras, o volume de água continua a diminuir.

Por esse motivo, a autarquia está de sobreaviso, monitorando o nível do rio 24 horas por dia e pedindo economia à população. “Por causa do calor, as pessoas estão consumindo mais água e nós não temos condições de colocar a terceira máquina para funcionar nos horários de pico para suprir essa demanda maior”, frisa Brazoloto, ressaltando que o excesso de consumo já pode gerar deficiências no abastecimento.

Baldes e tambores

Com receio de que falte água no Parque Viaduto, a dona de casa Ester Kochi de Araújo já está preparada. Após uma interrupção no abastecimento em seu bairro na semana passada para manutenção na rede de água, ela providenciou baldes e tambores para fazer reserva, se for necessário.

“Na semana passada fui pega de surpresa. Em casa só tinha água à noite, quando a gente aproveitava para tomar banho, lavar louça e roupa”, conta ela, cuja residência tem caixa d’água de 500 litros para três pessoas. “A caixa é pequena, não dá para nada”, resume.

Essa medida preventiva, segundo Brazoloto, não é recomendável. “O correto é manter a caixa d’água sempre cheia para uma eventual falha no abastecimento. O armazenamento em reservatórios irregulares é um desperdício desnecessário”, destaca o diretor, orientando a população a utilizar a água apenas para consumo pessoal e imediato.

Para o ambientalista e coordenador de Fomento Florestal do Instituto Vidágua, Jonas Costa Rangel, a explicação para o baixo nível do rio Batalha vai além da falta de chuvas, das altas temperaturas e do consumo excessivo de água. De acordo com ele, essas são causas que se somam aos processos de assoreamento e erosão causados pela exploração sucessiva e desordenada do rio.

“Se a mata ciliar não tivesse sido destruída, no período de chuvas a água iria se infiltrar no solo e, no período de seca, seria liberada lentamente de volta ao rio, fazendo com que o Batalha tivesse o mesmo fluxo durante todo o ano”, observa. “No início da ocupação daquela região, o Batalha possuía mais de cinco metros de profundidade. Infelizmente, hoje há trechos em que ele pode ser atravessado a pé”, lamenta.

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Região oeste fica sem água

A partir das 7h de hoje, parte da região oeste da cidade terá o abastecimento de água interrompido para a manutenção da tubulação das bombas do reservatório que fica em frente à Estação de Tratamento, localizada próximo ao Recinto Mello de Moraes. O procedimento vai interromper a distribuição de água através dos reservatórios dos Sabiás e Jardim Ouro Verde. De acordo com José Brazoloto, diretor da Divisão de Produção do Departamento de Água e Esgoto, a intenção é amenizar os efeitos da estiagem e aumentar a capacidade de abastecimento no setor. “Vamos aproveitar essa manutenção para mexer na bomba de recalque e aumentar a vazão de água, para atender melhor os bairros mais altos”, destaca.

O serviço começa às 7h desta quinta-feira, com previsão de término para as 16 horas. O fornecimento de água deve ser retomado no final da tarde, devendo ser normalizado entre a noite desta quinta-feira e madrugada de sexta-feira.