Estudos científicos comprovam fatos alarmantes: a população dos grande centros urbanos se tornam cada vez mais doentes em virtude dos excessos decorrentes do ritmo diário e o clima esquenta cada vez mais na Terra em virtude da ação predatória do homem durante milhares de anos. Segundo relatório divulgado na semana passada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU), o planeta entra em uma “nova época climática”, que pode ser mortal, já que até 2099, a temperatura global deve se elevar em até 6 graus.
Esta preocupação crescente com a qualidade de vida e conseqüentemente com o planeta vêm provocando reflexões nas sociedades. Cada vez mais pessoas aderem a pequenos projetos na tentativa de ajudar a amenizar os impactos no meio ambiente. Segundo especialistas, a situação melhoraria sensivelmente mesmo com pequenas ações pontuais. E ao construir e cuidar de um pequeno jardim a pessoa pode, ainda, relaxar, conhecer melhor a natureza e tirar um pouco do estresse. São respectivamente a ecojardinagem e a terapia verde.
“Cada um pode fazer muito para o meio ambiente sem sair da própria casa. Com apenas um vaso, a pessoa já pode conseguir fazer uma ótima terapia e, ao mesmo tempo, focalizar atenção na planta e perceber o que aquela muda pode fazer para o planeta”, afirma Maria da Glória Ferreira de Castro, professora que há 25 anos se dedica à jardinagem e pesquisas com vegetais.
Para ela, a falta de consciência ambiental causa defeito na relação entre animais, vegetais e o homem. “Existe uma interação e é importante que as pessoas saibam lidar com os três lados para evitar o acréscimo do caos ambiental que vivemos hoje”, diz.
Pensando no contexto atual e comparando com o senso comum de 20 anos atrás, a professora enxerga com bons olhos o futuro. “Anteriormente, as pessoas construíam jardins aleatoriamente, sem pensar no contexto em que ele estava inserido, sem saber o que ele realmente pretendia com aquela área verde, sem saber o resultado que aquilo poderia dar para ele e para o mundo”, afirma.
Segundo Maria da Glória, é fácil conhecer melhor as plantas, suas funções e manejo correto. “Cada tipo de planta e de jardim possui intenções e funções diferentes. A pessoa precisa saber o que pretende com ele e qual o seu perfil. A partir daí ele constrói ambientes que exigem mais ou menos cuidados”, explica. “Depois o ato de cuidar das plantas se torna rotina e vira terapia, algo muito difundido na Capital”, completa.
• Serviço
O curso sobre ecojardinagem e a terapia verde, que ensina conhecer melhor as plantas e como cuidar delas, será neste sábado e domingo, das 9h às 12h e das 14h30 às 17h30, no Ceagesp de Bauru. Mais informações pelos telefones 3019-0411 ou 3276-1728.
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Natureza faz sentir bem
A administradora de empresas Ana Cláudia C. Assis, 39 anos, tomou contato com a ecoterapia há sete anos. O intuito dela era aprender a construir seus próprios jardins de acordo com o objetivo específico que queria atingir. No entanto, com o passar do tempo e o trato mais intenso com as plantas, ela acabou transmitindo o interesse para o resto da família. “Quando ficamos mais perto da natureza, nos sentimos melhor. Basta dar uma volta numa praça ou rua mais arborizada que a pessoa sente a diferença”, resume.
Ela destaca esse “poder” calmante e relaxante da natureza e faz uma comparação com o passado. “Ao contrário do que víamos na época dos nossos avós, quando em praticamente todas as casas havia jardins, os proprietários de imóveis hoje preferem o concreto para ter menos trabalho, sem saber o benefício que um pequeno espaço com plantas poderia trazer”, afirma. “Hoje se fala tanto em meio ambiente e aquecimento global, mas a maioria das pessoas não se preocupa em fazer a sua parte”, completa a administradora.