Para normalizar o nível do rio Batalha, que tem baixado cerca de dois centímetros por dia por causa da estiagem e, assim, garantir o fornecimento de água em Bauru, são necessários três dias de chuvas contínuas e com intensidade moderada. Essa é a avaliação do engenheiro ambiental Leandro Razuk Ruiz, assessor de gabinete do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
Para ele, cerca de 150 milímetros de precipitação distribuídos em três dias de chuvas regulares seriam suficientes para irrigar a vegetação, recarregar os poços d’água e aumentar o nível das nascentes. “Seria o ideal para reequilibrar o volume do aqüífero e contribuir para o aumento da reserva de água”, observa.
Assim como Ruiz, o coordenador adjunto da Defesa Civil do Estado, Álvaro de Brito, afirma que somente chuvas mais duradouras são capazes de encharcar o solo e estabilizar o nível do manancial. Segundo ele, seria necessário pelo menos um dia e meio de precipitações intermitentes, de intensidade moderada e de longa duração para que houvesse uma reposição hídrica razoável.
“Nesse espaço de tempo, precisaríamos que chovesse cerca de 90 milímetros na cabeceira do rio para que o curso alto do manancial fosse abastecido e normalizasse a captação de água”, frisa ele, ressaltando que, na área urbana, o volume ideal de chuva seria de cerca de 50 milímetros, distribuídos em três dias seguidos, para não causar prejuízos ao ambiente. “Seria o suficiente para saturar o solo sem trazer problemas para a população”, explica.
Nos últimos 12 dias, a lagoa de captação do rio Batalha reduziu seu nível em 30 centímetros e a breve chuva de ontem, de apenas 1,5 milímetros, não chegou a alterar o seu volume. “Foi uma chuva localizada, que não alcançou a região do rio Batalha. E essa chuva fraca não chega aos lençóis freáticos, porque as raízes das plantas absorvem a água antes”, observa Brazoloto, explicando que, com o solo saturado, a água excedente iria abastecer os lençóis freáticos que, por sua vez, alimentariam os rios.
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Saturação
A necessidade de que as precipitações sejam moderadas não se justifica apenas pela segurança da população urbana, que todos os anos sofrem com enchentes causadas por chuvas torrenciais. Segundo informou Zildene Pedrosa Emídio, meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), chuvas rápidas, mesmo que intensas, acabam por não ser totalmente aproveitadas para o controle hídrico do solo.
“Se a chuva for muito forte e em um curto espaço de tempo, ela não é totalmente drenada pelo solo e escorre. É preciso chover vários dias moderadamente para que, aos poucos, o armazenamento do solo chegue a se normalizar”, destaca.
De acordo com a meteorologista, as precipitações devem se tornar mais freqüentes à medida que o verão se aproxima. No entanto, ela alerta que a previsão climática para Bauru é de que a próxima estação tenha menos chuvas em comparação a anos anteriores.
Passados 18 dias deste mês, o IPMet registrou uma precipitação acumulada de apenas 5,6 milímetros. Durante todo o mês de outubro do ano passado, choveu 57,4 milímetros e, no mesmo período de 2005, um total de 103,4 milímetros. Neste ano, não choveu em agosto e, em setembro, o acumulado foi de 3 milímetros. Para os próximos dias, o instituto prevê temperaturas altas, com máxima chegando aos 33 graus, e pancadas de chuva.