Domingo, 14/10/07. Estava no trânsito. Liguei o rádio do carro para ouvir a partida valendo vaga para a Copa do Mundo de 2010, entre Brasil e Colômbia. O que ouvi: “Tinha câncer, agora estou curada, quero deixar aqui meu testemunho... blá, blá, blá...” Liguei para outra emissora... mesma coisa. Irritado, desliguei e fiquei pensando aqui comigo quando em uma ocasião assistia pela rádio 710 uma transmissão de um jogo do EC Noroeste aqui em Bauru. Meu amigo, o J. Martins, repórter de campo, falava a um seu colega: “Nossa emissora é a única a transmitir este jogo. As outras estão empenhadas em dar oportunidades para o povo dizer que foram curados graças a esta ou aquela religião.” Gostaria de ver a cara do meu amigo J. Martins, uma pessoa inteligente, correta e que sabe tudo sobre futebol. Na certa, não diria nada, pois tem que preservar seu emprego... e está certo. Amigão, você me desculpe por mencioná-lo aqui. Tenho certeza que seus pensamentos são: “Logo ficarei sem emprego, a não ser que me torne pastor, bispo ou coisa que o valha.” Sei que essa não é sua praia e entendo sua preocupação pois logo ligaremos o rádio e não teremos mais opção. Na verdade, vemos compras de emissoras de TV, rádios FM, todas imbuídas no sentido de transformar o povo em “religiosos fanáticos?!”...
Vemos templos serem construídos num piscar de olhos... e em lugar nobre da cidade. Basta o lugar ser amplo e coberto... pronto... Colocam-se cadeiras e o povão comparece para dar seu testemunho de “milagres acontecidos com seus familiares”. Vão-se aumentando patrimônios, com malas de dinheiro correndo de lá para cá nos aeroportos. Vemos políticos corruptos “que pegam o bonde” na religiosidade e dominam até cidades inteiras, principalmente no nordeste, onde o povo é mais humilde, sem escolaridade e desinformado. Sr. Damião Garcia: “Volte com aquela rádio 710, ávida de informações sobre política, polícia e futebol. Volte com a retransmissão em conjunto com a Jovem Pan de São Paulo, de jogos importantes do nosso Campeonato Brasileiro. Deixe o nosso amigo J. Martins expressar toda sua competência, nos informando com toda sabedoria os bastidores do esporte, inclusive do nosso querido e sofrido EC Noroeste.”
Luiz Carlos Pasquarelo