11 de julho de 2026
Bairros

Por acaso, vizinhos dão colorido à rua

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

A cidade tem uma dinâmica própria, segundo aponta o diretor regional do Sindicato das Indústrias de Construção Civil de São Paulo (SindusCon), Ralph Ribeiro Júnior. A afirmação dele tem muito a ver com o que tem sido observado na cidade de uns anos para cá. As pessoas, sem combinar nada, mudam a cara de uma rua, de um bairro, e, por conseqüência, do município, pela simples vontade de tornar novo o que é ultrapassado.

Em alguns casos, as coincidências ocorrem nas casas vizinhas às nossas. Foi assim na rua Bartolomeu de Gusmão, no Jardim América, onde um grupo de cinco casas tornou a rua mais colorida, sem que nada fosse combinado entre seus moradores, pelo contrário, nenhum sabia que o outro teve a mesma idéia.

Quem conta é o microempresário Jurandir Ribeiro de Souza. Segundo ele, as casa são alugadas e o proprietário tinha adotado o sistema de pintar todas de uma única cor. Imagine a cena, casas iguais, arquitetonicamente falando, e com a mesma cor na fachada. Não haveria nada a escrever sobre elas nesta página.

No entanto, Souza afirma que procurou o proprietário para pintar sua casa de uma cor diferente. Ao mesmo tempo, os demais vizinhos foram solicitando alteração de cores. Quando se deram conta, as cinco casas estavam pintadas cada uma com cores diferentes, o que melhorou o visual da rua.

A coincidência foi satisfatória, na avaliação de Souza, dos vizinhos e demais moradores da rua, já que o visual ficou bem mais bonito depois que deixaram de usar a mesma cor padrão, definida pelo proprietário dos imóveis. “É bem melhor colorido, fica mais bonito, dá mais vida”, ressalta Souza.

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Bom negócio

Outro exemplo de mudança na fachada é o prédio onde funcionava uma antiga padaria, na avenida Duque de Caxias. Hoje o local abriga uma papelaria, que chama a atenção pela combinação de cores que resolveram fazer nas paredes externas do prédio. O vermelho combinado com verde-pistache é um dos chamarizes da loja, e foi justamente essa a aposta dos diretores da rede.

Segundo a gerente Flávia Fernanda Gonçalves, a idéia foi justamente chamar a atenção de quem passa pela rua. Como a loja fica em um prédio de esquina, a estratégia deu certo, porque quem pára no farol, em qualquer sentido da avenida ou da rua que a cruza, não resiste a dar uma olhada e saber do que se trata aquele estabelecimento.

“Nós queríamos uma cor que chamasse a atenção, e tem funcionado. As pessoas param, anotam o telefone, depois ligam para saber da loja e acabam virando clientes”, destaca a gerente, ou seja, a pintura com cores fortes acabou se tornando um bom negócio para a papelaria.