09 de julho de 2026
Bairros

Reconstrução é maior na zona sul

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

O slogan “cidade sem limites” que Bauru carregou durante muitos anos e ainda está estampado em muitos estabelecimentos comerciais pode ser um empecilho para mudanças mais acentuadas nas fachadas de Bauru. Há, em toda cidade, imensos vazios que precisam ser ocupados, segundo especialistas em urbanismo. Mas o que se vê, na realidade, é a mudança crescente de uma parte da cidade, enquanto outra ainda carece de mais investimentos e pede por grandes obras.

Nos últimos anos, a região que mais modificou sua cara foi a zona sul da cidade, sobretudo na região acima da avenida Duque de Caxias, ou seja, Altos da Cidade, Jardim América, Vila Universitária, Jardim Aeroporto, outros. Houve um crescimento intenso de novos prédios, o que deixou claro o processo de verticalização no lado sul da cidade.

Segundo o chefe do departamento de arquitetura, urbanismo e paisagismo da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Xaides de Sampaio Alves, nesta região há o que os especialistas chamam de verticalização espalhada, ou seja, prédios altos convivem com residências, numa dança de formas e estilos que completam o visual de Bauru.

Ele ressalta que é possível estender esse visual para outras regiões da cidade, mas reconhece o fascínio que a zona sul exerce sobre os empreendedores imobiliários. Assim, naquela região é possível ter mais variedade de estilos arquitetônicos, uma mescla entre passado e presente, entre o antigo e o moderno.

No entanto, se o ritmo continuar acelerado nas mudanças pelas quais a região passa, em pouco tempo a paisagem de verticalização espalhada pode se tornar de verticalização total, o que seria ruim para a cidade, segundo ele. “Essa concentração de edificações seria pior ainda por conta do clima quente da cidade”, destaca.

Apesar dessa tendência cosmopolita, Xaides aponta que Bauru ainda preserva a identidade de cidade média, com prédios altos, médios, pequenos, construções antigas, novas, casas de madeira, entre outros, que enriquecem essa identidade. “Essa diversidade se apresenta também por causa da diversidade dos momentos em que cada edificação foi projetada”, explica.

O professor afirma que em muitos pontos de Bauru é possível observar que essa preservação de identidade pode ser vista através de frestas visuais, observadas de pontos mais altos da cidade. Essa possibilidade aponta uma tendência de convivência entre passado e presente. “Há uma necessidade de afirmação entre o que a gente está buscando como identidade”, comenta.

A região sul, aponta o professor, também é típica pela concentração de classes sociais, ou seja, as mudanças que foram ocorrendo aos poucos e ainda ocorrem nesta parte de Bauru indicam que ainda restam pessoas que resistem aos novos tempos por uma série de fatores, sobretudo questões sociais. Por esse motivo é possível ver algumas casas de madeira e até favelas nesta região.

____________________

O lado norte

A grande briga de urbanistas com empreendedores do mercado imobiliário é justamente no crescimento mais acentuado da zona sul, que se reflete nas novas construções que aparecem a todo momento nesta região, sejam de condomínios, sejam de novos estabelecimentos comerciais.

Uma das brigas dos arquitetos e urbanistas é pelo tombamento paisagístico da zona sul, para preservar as características que se acentuam atualmente. Neste tombamento se criariam critérios para preservar a identidade, como, por exemplo, determinar que sejam construídas, no máximo, duas torres por quadra.

A medida evitaria a formação de ilhas de calor, preservaria a paisagem e a diversidade social na região, o que, segundo o chefe do departamento de arquitetura, urbanismo e paisagismo da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Xaides de Sampaio Alves, também faz parte do visual da cidade. “O que não puder ser feito, em termos de construção nesta região, pode ser levado para outros bairros, por exemplo na região mais periférica, onde há necessidade de desenvolver”, destaca.

Aí entra o lado norte. O principal problema da região norte de Bauru esbarra justamente no já famoso prolongamento da avenida Nações Unidas, em direção à rodovia Bauru-Marília, a chamada Nações Norte, que ainda não saiu do papel.

A Nações Norte, aliás, seria a grande mudança no visual do lado norte de Bauru. Segundo Xaides, uma das preocupações dos urbanistas é justamente levar parte dos empreendimentos imobiliários para aquela área, desafogando a zona sul e preservando a identidade paisagística. No entanto, a falta de definição sobre as obras da avenida atrapalham qualquer tipo de investimento que possa ser feito naquela região, o que alteraria significativamente o visual de Bauru.