O enólogo é uma espécie de “engenheiro do vinho’’. É ele quem cuida desde o plantio da uva até o engarrafamento, podendo atuar, também, na área comercial ou como consultor de bares e restaurantes.
“O principal benefício da profissão é que você trabalha com um produto extremamente prazeroso. Não dá para enjoar’’, afirma o enólogo Amaro Fernando Dornelles, que atua como gerente de franquias da Expand Store - sua função é dar suporte e treinamento a lojas, para que o vinho ganhe visibilidade entre os clientes.
Natural de São Marcos (RS), Dornelles viveu cercado pela cultura do vinho desde a infância - o avô teve uma vinícola, a mãe trabalha em um laboratório de enologia, os tios têm uma engarrafadora no Nordeste. “A escolha pela graduação em enologia foi natural.’’
Dornelles se formou, em 2001, pelo Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Bento Gonçalves, uma das quatro instituições do País que oferecem formação em nível superior. “A região Sul é tradicionalmente ligada à produção do vinho. O curso surgiu da necessidade de atender à demanda do mercado’’, afirma Jesus Borges, diretor de graduação e pós-graduação da unidade.
No curso, cuja concorrência para o vestibular 2006 foi de 6,5 por vaga (195 estudantes para 30 vagas), são oferecidas disciplinas como viticultura, bioquímica, empreendedorismo e, claro, enologia.
“As aulas dão uma noção ampla sobre cultivo e elaboração de vinhos. A percepção sobre as etapas de fabricação fica bem maior’’, diz o aluno Giovanni Carraro. Para Elison Postal, um dos grandes méritos do curso é aprimorar o paladar. “A gente aprende a identificar vários sabores em um único vinho.’’ No entanto, a falta de um enfoque maior no aspecto comercial, segundo o aluno, é um ponto negativo na formação.
Da sala de aula para o mercado de trabalho, o enólogo encontra uma área em expansão. “Não só na serra gaúcha mas em Petrolina (PE), em Minas Gerais e em São Paulo, o mercado está se ampliando. Principalmente na área comercial, em que o enólogo une o conhecimento técnico da indústria ao de sommelier (profissional que orienta sobre vinhos)’’, explica Dirceu Scotta, presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE).
Adriano Miolo, diretor técnico da vinícola Miolo, diz que o profissional que o mercado quer contratar é aquele que está em sintonia com o que ocorre na vinicultura mundial. “Também buscamos o profissional que tenha disponibilidade de trabalhar em tempo integral durante a safra (janeiro a abril)’’, diz Miolo, acrescentando que conhecimentos de inglês e espanhol são essenciais.
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Sommelier
Ele segura a taça, faz movimentos circulares, aproxima o nariz da borda e sorve o líquido pela boca, em um cuidadoso processo de degustação. O gesto profissional mais associado ao vinho é feito não por um enólogo mas pelo sommelier.
“O sommelier é a pessoa responsável pelo serviço adequado do vinho em restaurantes, é quem indica qual vinho, de determinado tipo ou safra, tem harmonização adequada com a comida’’, explica o sommelier Bruno Hermenegildo.
A atividade não é regulamentada no País. “Não temos como saber quantos profissionais atuam no ramo’’, diz Arthur Piccolomini de Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) - a entidade oferece, regularmente, cursos de formação para quem deseja atuar na área.
Uma região quente e chuvosa como a do Vale do São Francisco, em Pernambuco, dificilmente seria apropriada para cultivo de uva e produção de vinho. No entanto, a tecnologia transformou-a no segundo pólo vinicultor do Brasil, de acordo com o Ministério da Agricultura. Em Petrolina, uma das cidades do Vale, o Cefet oferece formação superior em enologia - a primeira turma se forma no fim do ano.
“Precisamos de mão-de-obra especializada, porque o pólo está crescendo a cada dia. Dificilmente um enólogo fica sem emprego aqui’’, diz Sebastião Rildo Diniz, diretor-geral da unidade. Ele acrescenta que o Cefet Petrolina estuda a criação de uma marca de vinhos, para que os alunos passem da teoria à prática ainda na graduação.