“A casa é o espelho do ser humano”, define o renomado arquiteto e designer paulista Marcelo Rosenbaum, principal atração do Design Essencial 2007, realizado nesta semana pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Bauru.
No evento, ele ministrou a palestra “Design, Emoção e Memória Coletiva”. Um dos pontos que norteiam seu trabalho é a criação de espaços com alma e memórias, que dizem muito sobre quem mora ali.
Para Rosenbaum, ao se projetar um ambiente, é importante buscar a construção do indivíduo como ser humano. Objetos que fizeram parte de sua história e elementos que retratam a região em que vive e, até mesmo, o País. “Trata-se de uma busca das raízes e das vivências”, explica.
Segundo ele, a emoção parte do momento em que se recoloca um material que já não era mais usado ou que tem valor por trazer certas memórias de vida.
O arquiteto e designer conta que uma das tendências de seu trabalho é a valorização das coisas simples, como, por exemplo, o artesanato. Dessa maneira, ele busca retomar a questão da memória brasileira. “Penso que essa é uma forma de valorização e que muitos destes elementos trazem a emoção”, fala.
Quando questionado sobre os meios que utiliza para buscar e atender às necessidades dos clientes quanto às emoções e memórias, Rosenbaum responde que é por meio de pesquisas e, principalmente, sensibilidade e percepção do que mexe com cada um.
Ele explica que formata e busca elementos que atribuam significado ao novo ambiente. Algumas vezes, utiliza materiais muito simples, que com uma nova roupagem, se adequa ao projeto e traz um lado humano.
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O profissional
Rosenbaum é um profissional muito bem requisitado, que começou a trabalhar com arquitetura aos 17 anos e hoje acumula prêmios e trabalhos diversos. Ele participa do Casa Cor SP e de outras exposições de design de objetos e móveis no Brasil e no Exterior, desenvolve projetos residenciais e comerciais em diversos segmentos, inclusive no ramo da moda. O arquiteto e designer é o responsável pelo quadro “Lar Doce Lar”, do programa “Caldeirão do Huck”, exibido pela Rede Globo.
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Lar Doce Lar
Entre as atividades de Marcelo Rosenbaum, está a criação dos ambientes do quadro “Lar Doce Lar”, exibido no programa “Caldeirão do Huck”, pela emissora Rede Globo. Também nesse trabalho ele busca despertar nos clientes a questão da emoção e memória e criar projetos que atendam a cada necessidade.
O arquiteto e designer se sente gratificado diante da emoção das pessoas que participam do programa quando se deparam com novos ambientes em suas casas. “Nós levamos transformação a pessoas que nunca teriam acesso ao nosso trabalho”, fala. Seu maior objetivo é proporcionar a elas dignidade, conforto e bem estar.
“Os projetos são sempre muito diferentes. Não costumam ter o meu estilo, e sim, o estilo de cada pessoa”, aponta. Ele procura sempre respeitar cada personalidade, pois acredita que a casa também está ligada à auto-estima. “É onde elas vão conviver com a família, com os amigos, enfim, onde se representarão para as pessoas”, esclarece.
Mesmo buscando respeitar as particularidades de cada cliente, Rosenbaum acredita que há um jeito contemporâneo de pensar na casa e aplica isso no programa. “Eu levo para o ‘Lar Doce Lar’ a dignidade e o pensamento contemporâneo”, fala. Ele se preocupa muito com a questão da integração dos espaços como, por exemplo, a cozinha integrada com a sala, os espaços sociais, entre outros.
Uma outra atenção de Rosenbaum é incluir nos projetos espaços que os clientes possam aproveitar junto com outras pessoas. Algo destinado ao lazer, que funciona como uma espécie de meio público. Ele conta que já criou espaços de funk, campo de futebol e uma brinquedoteca para a criança da casa se divertir com os amigos. Ele informa que está sempre pensando em uma unidade que se integra, em criar um ambiente que atenda o esperado, que tenha suas particularidades, mas que se integre ao resto da casa e às pessoas que visitam quem vive ali, explica.
O maior desafio que Rosenbaum encontra ao desenvolver os projetos para o ‘Lar Doce Lar’ é a limitação de tempo - o fato de ter que elaborar em apenas dois dias um projeto todo. Mas, ele vê isso como uma questão de exercício e adaptação; de incentivo ao raciocínio rápido. E deixa claro que a atenção e o cuidado que dedica aos clientes do programa é a mesma que tem com os clientes que atende em seu escritório.