Buenos Aires - A Argentina decide no próximo domingo nas urnas quem a governará pelos próximos quatro anos. Mas, a julgar pelos resultados de uma pesquisa, os argentinos parecem não se importar muito com isso.
Um levantamento encomendado ao instituto Poliarquia pelo jornal “La Nación” revela que 72,8% dos argentinos dizem se interessar pouco ou nada por política.
O número de desinteressados pela atual campanha eleitoral é maior: somam 73,5% os que dizem que acompanham pouco ou não acompanham a campanha.
A apatia geral ante a sexta eleição desde a redemocratização da Argentina, em 1983, contrasta com a ebulição de campanhas anteriores. Para muitos analistas, parte dessa apatia é deliberadamente provocada pelo governo, que agiu para instalar nos eleitores a idéia de que a eleição já está definida e que a primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner vencerá.
“Os estrategistas do governo conseguiram difundir a noção de que, no dia 28, Cristina triunfará por uma margem tão escandalosa que não terá que perder tempo com o segundo turno”, diz o jornalista e analista político James Neilson.
Essa estratégia é traduzida em uma série de viagens ao Exterior durante a campanha, em que Cristina foi recebida por chefes-de-Estado, inclusive Luiz Inácio Lula da Silva, como se fosse uma deles; na progressiva substituição do presidente Néstor Kirchner por Cristina em inaugurações e atos oficiais; e na falta de debates com os adversários.
Segundo a pesquisa da Poliarquia, o desinteresse pela política beneficia Cristina - é maior ainda entre os que afirmam que votarão na primeira-dama, chegando a 75%.
Para efeito de comparação, entre os que declaram voto em Elisa Carrió, principal oposicionista, 63% dizem que não se interessam por política. Enquanto os principais candidatos oposicionistas desdenharam da pesquisa, Jorge Sobisch, que briga pelo quinto lugar, aceitou os números e reconheceu que a oposição é parcialmente culpada por eles.