São Paulo - Depois de dois meses de relativa tranqüilidade nos aeroportos, passageiros enfrentaram ontem um dia de filas e atrasos em Congonhas e reclamaram que não receberam assistência das companhias aéreas. Segundo a Infraero, os motivos dos atrasos e das filas foram o fechamento do aeroporto no domingo - que provocou remarcações de bilhetes para ontem, o movimento normalmente maior da segunda-feira e o número maior de passageiros por conta da Fórmula 1.
O aeroporto ficou fechado para decolagens, no domingo, entre 20h41 e 21h05. Nesse horário, chovia forte. Na ocasião, a Infraero atribuiu o fechamento a um problema na freqüência de comunicação entre as aeronaves e a torre de controle. Ontem, porém, a Aeronáutica negou falha de comunicação e a Infraero disse que não forneceu essa informação. Já o ministro Nelson Jobim (Defesa), em Brasília, disse que a falha na comunicação foi decorrência do mau tempo. “Foi circunstancial. Teve um problema de comunicação decorrente do mau tempo.”
O funcionário público Eduardo Silva, 46 anos, tinha um vôo da TAM marcado para as 21h20 do domingo com destino a Brasília. Por volta das 22h50 - o aeroporto fecha às 23h -, os passageiros foram colocados às pressas na aeronave. O avião chegou a taxiar na pista, mas não decolou. Eduardo e a mulher tiveram que dormir na casa de amigos e precisaram bancar o táxi. Eduardo só conseguiu sair de São Paulo às 13h de ontem.
As maiores filas em Congonhas aconteceram nos balcões de check-in da TAM e da Gol e na entrada para o embarque. Em Guarulhos, também houve filas, mas a situação foi mais tranqüila: até as 19h, 30 dos 204 vôos previstos tinham atraso de mais de uma hora, e 13 haviam sido cancelados.
A contadora Noeli Sousa, 50 anos, teve de dormir no aeroporto de Congonhas à espera de um vôo da Gol para Navegantes (SC). Segundo ela, a empresa não pagou hotel e alimentação. “Fui ao juizado ontem e estava fechado”, contou ela, referindo-se ao Juizado Especial Cível instalado no aeroporto para fazer a mediação entre passageiros e as companhias aéreas. O juizado, inaugurado há duas semanas, funciona até as 19h, mas os problemas aconteceram depois desse horário. Ontem, foram registrados 45 atendimentos - o normal são cerca de 20 - e 12 acordos com as companhias.