11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Em novembro, setor de baterias terá regulador

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

As baterias automotivas têm como matérias-primas elementos altamente tóxicos, prejudiciais ao ser humano e ao meio ambiente. Sua produção sem controle rigoroso, com base em normas específicas tanto no quesito tecnologia de produção quanto qualidade de produto, coloca em risco as áreas próximas a indústrias e podem causar prejuízos ao bolso do consumidor. Para garantir qualidade ao segmento e dar segurança ao comprador, a regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em conjunto com cinco empresas do ramo, sediadas na cidade, dão os primeiros passos rumo à formação da Comissão de Estudos para Baterias de Chumbo Ácido.

O grupo pretende iniciar de forma organizada, a partir do próximo mês, as discussões sobre as normas técnicas que permeiam o segmento. Esta organização estaria ligada à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e tem como aspiração compor a mesa de discussões com indústrias de todo o País, com associações dos ramos consumidores (entidades que congregam montadoras e fabricantes de veículos automotores) e entidades neutras, de fiscalização e pesquisa (universidades e institutos de garantia de qualidade).

Segundo os cinco fabricantes que se reuniram ontem no auditório do Ciesp para planejar a formação do comitê, atualmente as regras que permeiam o segmento estariam totalmente defasadas em relação à atual realidade, não atendendo a exigências específicas existentes nos mercados mais avançados como o europeu e o americano. As normatizações foram criadas há duas décadas e nunca mais revisadas.

Para o diretor regional do Ciesp, Domingos Antônio Malandrino, quem mais sofre com essa defasagem regulamentar é o consumidor. “Sem especificações atualizadas, as fábricas passam a produzir produtos de baixa qualidade, sem se preocupar com o meio ambiente e com aquele que compra o produto”, destaca.

O diretor industrial de uma das maiores fabricantes de baterias de Bauru, Sérgio Luis Fioravante, destaca a questão comercial e desenvolvimentista da sistematização da produção. “É importante buscarmos uma uniformização global do produto e nivelar todos os fabricantes em qualidade. Com isso, ganhariam o meio ambiente, o cliente, o fabricante e o município”, afirma.

As fábricas de baterias da cidade exportam cerca de 20% da sua produção. No entanto, para cada região do planeta existem normas específicas quanto à corrente máxima, temperatura de uso, entre outros. Fioravante acredita que estudos técnicos podem levar a comissão a criar um produto que atenda plenamente às normas do mercado externo.

“Isso facilitaria a aquisição de novos mercados. Como conseqüência aumentaria a produção, geraria mais empregos e traria mais renda para a cidade”, destaca.

Bauru é pólo

Em Bauru está instalado o maior produtor de componentes para produção de baterias em âmbito nacional, a Plajax. A cidade também abriga os fabricantes Cral, Tudor, Ajax e Enerbrax. De acordo com o Ciesp, juntas, as cinco indústrias comercializam cerca de 50% de todas as baterias de reposição no mercado nacional. Estendendo o círculo para as regiões de Sorocaba e norte do Paraná, o conglomerado cobriria quase 95% do solo brasileiro.

Outro dado importante é a mão-de-obra empregada pelo setor industrial na cidade: 20 mil pessoas. De forma direta, o ramo de baterias emprega 10% dessa massa trabalhadora, cerca de 2 mil pessoas.