09 de julho de 2026
Geral

PF vai recolher amostras de leite suspeito de adulteração

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Atendendo a uma determinação da direção geral da Polícia Federal (PF), a Delegacia de Bauru vai recolher amostras de leite longa vida de diversas marcas vendidas no comércio da cidade. A ordem é que unidades de todo o País façam o mesmo para investigar se o leite adulterado - com água oxigenada e soda cáustica - é comercializado também fora do Estado de Minas Gerais.

Renato Casarini, delegado da PF de Bauru, disse que recebeu a ordem diretamente da polícia de Uberaba (MG), mas ontem não havia sido informado, ainda, da data e locais onde serão feitas as coletas nem tampouco as marcas de leite que serão analisadas. “Estamos aguardando a última ordem, uma solicitação formal, para recolher as amostras (de leite). Ainda não temos uma data definida para esta ação, mas ela vai acontecer”, disse.

Até a tarde de ontem, a Vigilância Sanitária de Bauru não havia recebido notificação para acompanhar a ação da PF nem para recolher o produto do mercado. Mas recebeu diversas ligações de consumidores preocupados com a saúde. “A orientação que repassamos aos consumidores é que não ingiram leite das marcas citadas pela PF”, resumiu o diretor da Divisão de Vigilância Sanitária, Flávio Tadeu Salvador.

Até ontem, as marcas de leite suspeitas de ter o produto adulterado continuavam nas prateleiras dos supermercados da cidade, apurou a reportagem. Mas enquanto aguardam laudos técnicos, os consumidores entrevistados admitem sentir medo de consumir produto nocivo à saúde.

Conforme as investigações do Ministério Público Federal (MPF), a Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), em Passos, e a Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale), em Uberaba, são suspeitas de adulteração para aumentar a longevidade do leite. Segundo a PF, o produto era vendido pelas cooperativas para empresas como a Parmalat, Calu e Centenário. Porém, a PF não sabe para onde esse leite era enviado e comercializado.

No carrinho de compras da fonoaudióloga Adriana Oliveira, 33 anos, ontem havia apenas uma caixa de leite em pó no lugar do leite longa vida. Preocupada com a saúde da filha de 6 anos, ela preferiu se precaver. “Acho melhor ela (filha) consumir leite novamente só quando tiver certeza que não está adulterado”, disse.

Mesmo preocupada com a saúde, Maria Helena Almeida Nascimento preferiu não mudar a rotina. “Como não tenho criança em casa, só tomamos leite pela manhã. Não diminuí a quantidade ingerida, mas estou com medo”, revelou.

Mãe de filhos de 5 e 12 anos, Carla Simone Brumatti comprou algumas caixas de leite longa vida ontem, mas não esconde a preocupação. “Meus dois filhos precisam tomar leite, mas procuro marcas de qualidade para comprar”, falou.

A reportagem constatou que a maioria das marcas do produto vendidas na cidade é de fornecedores do Sul, principalmente de Santa Catarina. Em apenas um supermercado foi encontrada uma marca de leite de Minas Gerais, mas esta não foi citada pela PF como suspeita de adulteração.

O gestor de compras de um supermercado da cidade, Teder Berbel Senis, explica que a região Sul oferece produto de boa qualidade e melhor preço. “A empresa compra leite com ISO 9001 (certificação), pois acreditamos que seja de boa qualidade”, explicou. Como é um produto consumido no País todo e por pessoas de diversas faixas etárias, ele acredita que não haverá prejuízo nas vendas. “Não haverá impacto significativo”, afirma.

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Quadrilha é presa

Conforme o Jornal da Cidade divulgou ontem, a Polícia Federal (PF) prendeu na segunda-feira 27 pessoas e desarticulou um esquema de crimes contra a saúde pública por meio de adição de soda cáustica (hidróxido de sódio) e água oxigenada (peróxido de hidrogênio) ao leite.

Essas substâncias químicas tornam o produto impróprio para o consumo. A produção diária das duas cooperativas acusadas de adulteração chegava a 400 mil litros.