São Paulo - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu ontem em todo o Brasil, por tempo indeterminado, a comercialização dos leites longa-vida envasados pela Parmalat no Rio Grande do Sul e em Goiás e pela Calu em Goiás. A Anvisa coletou os produtos em Uberaba (MG) e constatou que eles continham substâncias proibidas. No entanto, não especificou quais eram as substâncias.
As interdições foram feitas pela Anvisa de forma cautelar. Todos foram produzidos em 2007. No caso da Parmalat, refere-se ao leite UHT integral envasado nas cidades de Carazinho (RS) em 22 de junho (vencimento em 20 e 22 de outubro) e Santa Helena de Goiás (GO) em 24 de junho (vencimento em 24 de outubro). No caso da Calu, o produto interditado foi embalado em Itumbiara (GO) em 7 de julho (vencimento 17 de novembro), 26 de julho (vencimento em 26 de novembro) e 3 de agosto (vencimento em 3 de dezembro).
Esse resultado mostra que existem empresas fora de Minas Gerais que também comercializam leite adulterado. O caso veio à tona na segunda-feira, quando a Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a Operação Ouro Branco. Perto de 30 pessoas foram presas sob a acusação de adulterar leite integral longa-vida. Os produtos saíam das cooperativas Casmil, em Passos, e Coopervale, em Uberaba. Continham soda cáustica e água oxigenada.
Segundo o promotor Paulo Márcio da Silva, de Passos (MG), o leite da cooperativa local Casmil era comprado por empresas de São Paulo. O produto, segundo ele, também era vendido para o Rio. Investigadores do caso disseram à reportagem que a prática de adicionar substâncias proibidas ao leite é comum em todo o País. “Pegamos apenas a pontinha do novelo”, disse um investigador. A prática é corriqueira, segundo ele, porque a soda cáustica e a água oxigenada são acrescentadas em baixas quantidades e, diluídas, não podem ser detectadas por exames de laboratório.
Embora não façam mal à saúde - quando dissolvidas em pequenas quantidades no leite -, a adição de soda cáustica e água oxigenada vai contra as normas técnicas do Ministério da Agricultura. Elas são usadas para mascarar produtos de má qualidade, obtidos em condições ruins de higiene. Essas irregularidades tornam a industrialização do leite mais barata. As empresas citadas não foram encontradas pela reportagem para comentar.
CPI
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), defendeu ontem investigações rigorosas sobre as denúncias de adulteração em leites em cooperativas de Minas. Chinaglia não descartou a instalação de CPI na Câmara para que as supostas fraudes sejam investigadas pelos deputados. “No mínimo temos que fazer pressão para que se esclareçam essas denúncias. Podemos fazer comissão externa para ir até lá, acho que as iniciativas da Câmara permitem aumentar a pressão da sociedade. Pode ser CPI, eu sempre sou a favor de investigar”, disse.
Chinaglia afirmou, no entanto, que as investigações não podem “chover no molhado” nem se transformarem em uma ação eleitoral. “Daí fica meio complicado. A investigação tem que ser séria, firme”, disse.