Santiago - A Justiça chilena decidiu ontem pela anulação de processo contra a viúva do ditador Augusto Pinochet (1915-2006) e quatro dos cinco filhos do casal, além de oito outras pessoas, militares e civis, ligadas ao clã.
Lucía Hiriart e os filhos Marco Antonio, Lucía, Verónica e Jacqueline eram réus em um processo por malversação de fundos públicos, acusação ligada ao escândalo conhecido como caso Riggs. Nesse caso foi investigada a origem, supostamente corrupta, de parte dos cerca de US$ 27 milhões que a família Pinochet tem em contas no exterior - uma delas no banco americano Riggs.
A família do general, que governou o Chile de 1973 a 2000, alega que o dinheiro é fruto de doações, economias e rendimentos.
Um dos filhos do casal, Augusto Pinochet Hiriart, assim como cinco outros colaboradores da família, permanece sendo processado porque não recorreu do indiciamento por malversação.
Ao anular o processo, a Corte de Apelações de Santiago acolheu recurso da defesa alegando que os Pinochet e os outros réus não poderiam ser julgados por malversação de dinheiro público, pois não eram funcionários do Estado chileno.
A corte também entendeu que o juiz Carlos Cerda, que investigou e indiciou os Pinochet, quando os interrogou não os questionou especificamente sobre os fundos.