09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Inadimplência escolar chega a 20%

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Ao contrário do que apontam as estatísticas do Estado, a inadimplência entre os estabelecimentos de ensino particular de Bauru tem se mantido estável. Gérson Trevisani, presidente da sede de Bauru do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp) afirma que, nas instituições de ensino superior, a demanda de maus pagadores é de 20%. No Estado, segundo o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), chega a 16,1%.

Trevisani explica que esse patamar de inadimplência tem se mantido nos últimos dois anos, resultado, principalmente, da queda do poder aquisitivo da classe média e também da “Lei do Calote”, que impede as instituições de exigir que o aluno regularize a situação antes do fim do contrato assinado.

Na opinião do presidente do Semesp, Hermes Ferreira Figueiredo, o crescimento da inadimplência no Estado, que foi de 5,92% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2006, deve ser atribuído à estagnação econômica do País, à perda da renda do estudante ou responsável, à falta de financiamento aos alunos e às instituições de ensino superior.

“O aumento da participação das classes C e D no ensino superior privado também contribui para a elevação da inadimplência no setor, pois não é suficiente garantir o acesso do estudante à graduação. É preciso levar em conta que esses alunos não têm renda suficiente para se manter na faculdade. Além da mensalidade, existem outras despesas, como transporte, moradia, material e alimentação”, conclui.

Por outro lado, a situação é mais cômoda em Bauru entre os estudantes de ensino fundamental e médio. De acordo com Trevisani, a inadimplência nesse nível do ensino é de menos de 10%. “Não tem uma explicação precisa para esse cenário, mas pode ser que, por conta do pai ficar responsável pelo pagamento, as despesas com os custos da escola são levadas mais à risca”, comenta.

Às instituições não sobram muitas alternativas, a não ser cobrar o aluno inadimplente na hora da rematrícula. “Mesmo assim, a escola acaba aceitando cheques que, depois, podem ser sustados pelo devedor. Veja, não há muito o que fazer”, destaca Trevisani.

De acordo com ele, o impacto direto para a instituição de ensino é a queda da qualidade do serviço prestado, já que a principal receita para investimentos das escolas particulares advém do pagamento das mensalidades.

O percentual de inadimplência apontado pelo Seeesp se reflete em muitas escolas de Bauru. Willian Bórnia Jacob, mantenedor de dois estabelecimentos de ensino - do nível infantil ao médio -, diz que a inadimplência gira em torno de 8%, sendo maior entre os alunos da quinta série do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio.

Conforme ele, a situação é mais confortável entre os alunos matriculados entre o maternal e a quarta série do ensino fundamental. Nesses casos, o índice de devedores não ultrapassa a casa dos 3%.

“São números que vêm se mantendo desde os últimos anos. Acredito que a legislação, que nos impede de penalizar os clientes em débito, favoreça essa situação, assim como a perda de renda e até a de emprego de muitos pais de família. É um conjunto de fatores”, analisa Jacob.

No caso específico de suas escolas, onde a inadimplência é menor entre os clientes das séries iniciais, Jacob acredita que essa situação seja impulsionada pelos gastos maiores que os alunos adolescentes dão aos pais. “Em geral, os filhos dão mais despesas na adolescência, principalmente com roupa e diversão. Isso acaba onerando mais a família. Acredito que possa ser um fator importante”, acrescenta.

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Matrículas sobem 5%

Pais e alunos devem preparar o bolso. Segundo o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), as matrículas para o ano letivo de 2008 sofreram reajuste de cerca de 5%.

“Estamos acompanhando a inflação, isto é, apenas corrigindo os preços. Não há como mantê-los (de um ano para outro), porque escola só sobe uma vez por ano, ela não funciona como os outros segmentos”, diz Gérson Trevisani, presidente do Sieeesp.