08 de julho de 2026
Geral

Leite de saquinho, pó e soja ‘ressuscitam’

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

A adulteração de leite em embalagem longa vida com água oxigenada e soda cáustica está fazendo com que muitas pessoas voltem a consumir o produto em saquinho, em pó e o derivado da soja. A mudança de hábito é uma forma que os consumidores estão encontrando de se precaver para não correr o risco de comprar leite contaminado.

Ontem, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu em todo o País a comercialização dos leites longa vida envasados pelas marcas Parmalat, no Rio Grande do Sul, e Calu, em Goiás. As interdições foram feitas como medida cautelar, já que o Ministério Público de Minas Gerais apresentou documentos que apontam que cargas de leite adulterado chegaram ao Estado de São Paulo.

Teder Berbel Senis, gestor de compras de uma rede de supermercados de Bauru, ressalta que o consumo de leite Parmalat caiu 90% nas lojas do grupo. Em contrapartida, os leites em pó e derivados de soja passaram a ser mais constantes no carrinho de compras dos clientes.

“Tivemos um aumento de 5% nesses dois produtos e uma baixa significativa no leite Parmalat, embora não tenhamos mais na área de venda os lotes divulgados pela Anvisa”, completa. Em uma loja de supermercado no Jardim Ferraz, o crescimento do consumo de leite de saquinho foi ainda mais expressivo. Donato Avelino da Silva, gerente-geral da empresa, diz que o aumento foi de 50%.

“Os clientes estão procurando evitar os leites de caixinha e migrando para o de saquinho. Apesar dessa quantidade parecer significativa, a saída do leite de caixinha ainda é bem expressiva porque sua proporção de venda em relação ao de saquinho é de 100 por um”, explica.

Para Donato, a procura pelo produto envasado em saquinho deve aumentar se novas constatações de adulteração ocorrerem. Na opinião dele, a situação não prejudicará o faturamento dos supermercados. “Se a gente não vende um tipo, vendemos outro. O prejuízo, quem vai sofrer, são as marcas, especialmente na credibilidade”, completa.

Em outro supermercado da cidade, no bairro Higienópolis, as marcas denunciadas pela Anvisa não são vendidas, porém, a gerência já percebe um interesse maior dos clientes pelos leites ensacados. “Especialmente os idosos estão comprando mais o leite de saquinho, reflexo do problema que está ocorrendo com o leite de caixinha, mesmo a gente não trabalhando com as marcas envolvidas na adulteração”, explica Jair Barbosa de Lima, sócio-proprietário da loja.

Conforme ele, as marcas que não estão envolvidas com o problema da adulteração estão aproveitando o momento para subir seus preços. “O acréscimo nos últimos dias foi de até R$ 0,20”, acrescenta.

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Recolhimento

Apesar da Anvisa ter proibido a venda de leites longa vida envasados pelas marcas Parmalat, no Rio Grande do Sul, e Calu, em Goiás, os supermercados de Bauru não precisaram esvaziar suas prateleiras ontem. Muitos comercializaram os lotes denunciados há meses.

A Vigilância Sanitária do município informou que, até ontem à tarde, não havia recebido nenhuma determinação oficial de procedimentos por parte da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em relação ao caso da contaminação do leite das marcas fornecidas pelas cooperativas envolvidas.

No entanto, durante as fiscalizações de rotina, as equipes da Vigilância Sanitária Municipal estão orientando os responsáveis pelos estabelecimentos visitados para que retirem de circulação os produtos que eventualmente façam parte dos lotes citados pela Anvisa. Já a Polícia Federal (PF) de Bauru, que no início da semana recebeu orientação para recolher amostras de leite, até ontem não havia recebido nenhuma determinação para executar a recolha.