O Instituto Rodrigo Mendes, organização sem fins lucrativos que busca a inclusão social por meio da arte em São Paulo, Capital, utiliza como fonte de renda a comercialização das obras produzidas por alunos da própria instituição. O montante arrecadado com as vendas chega a 40% da receita da entidade, além de valorizar o trabalho das pessoas atendidas e aumentar sua auto-estima.
O administrador e artista plástico Rodrigo Mendes, fundador da instituição, se reuniu ontem com empresários convidados na sede da diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), em Bauru. Depois, ministrou a palestra “Diversidade nas Organizações”, no auditório da Instituição Toledo de Ensino (ITE). Entre os parceiros do instituto na cidade está a Tilibra, cujo contato começou há 11 anos. Muitas capas dos cadernos produzidos pela empresa são ilustradas com obras produzidas por alunos do Instituto Rodrigo Mendes.
“Procuramos ganhar autonomia financeira por meio da criação de políticas próprias de serviços. Este tem sido um bom caminho e queremos investir cada vez mais nisso”, diz o fundador da entidade.
O orçamento anual do instituto gira em torno de R$ 1 milhão e as principais fontes de renda são de patrocínios empresariais e a comercialização dos produtos - cerca de 80% ao todo. Os outros 20% são provenientes da promoção de eventos, como a realização de exposições e oficinas para a comunidade e de doações feitas por pessoas físicas.
“Procuramos contribuir não só para a formação artística dos alunos, mas também para que eles adquiram autonomia”, diz Mendes. Segundo ele, as situações vividas no instituto contribuem para suas experiências pessoais e profissionais.
O artista conta que há uma série de exemplos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas tanto pela valorização da auto-estima quanto pelo respeito e sucesso profissional. “É muito gratificante ver as pessoas crescerem e acompanhar o quanto elas passam a se sentir valorizadas”, relata.
Inclusão social
A Instituição Rodrigo Mendes é uma escola de artes plásticas sem fins lucrativos que segue os princípios da inclusão social. Seu principal objetivo é garantir o acesso de pessoas portadoras de deficiência e pertencentes à comunidade de baixa renda a seus programas.
Localizada na cidade de São Paulo, a entidade foi fundada em 1994, quando ainda era chamada de Associação Rodrigo Mendes. Devido à sua expansão e abrangência das atividades, mais recentemente a associação ganhou o nome Instituto Rodrigo Mendes.
Entre as atividades desenvolvidas estão cursos de arte, exposições, oficinas e um programa de capacitação de professores dos ensinos infantil e fundamental da rede pública. O objetivo deste último é preparar professores em relação à melhor maneira de proceder com alunos portadores de deficiências.
Desde a sua fundação, mais de mil pessoas passaram pelo Instituto Rodrigo Mendes. Anualmente, são atendidos cerca de 100 alunos. Agora, com o novo programa de capacitação de professores, estima-se que cerca de 200 docentes irão aderir. Atualmente, 150 estão participando de atividades e recebendo orientações. Mendes ressalta que o principal objetivo é trabalhar com qualidade, e não com volume. O fundador informou que mesmo com sede em São Paulo, o instituto não se prende a limitações geográficas. “Desenvolvemos um trabalho em parceria com o Ministério da Cultura que prevê a realização de atividades em vários Estados brasileiros. Começamos em Ouro Preto (MG) e estamos indo para Florianópolis (SC)”, explica. Segundo ele, a idéia principal é expandir os trabalhos para regiões que possam se beneficiar de alguma forma.
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O artista
“A arte é uma área de descoberta e transformação, uma fonte de prazer, crescimento e de autoconhecimento”, resume Rodrigo Mendes, que é tetraplégico desde os 18 anos e descobriu os benefícios que a arte pode fazer por ele e pela sociedade.
Fundador do Instituto Rodrigo Mendes, ele sofreu um acidente em 1990. Seu primeiro contato com a arte ocorreu pouco depois, quando começou a pintar quadros. Em 1992 ele formou a primeira turma de alunos e começou a mostrar para outras pessoas que é possível superar dificuldades. Desde aquele ano, Mendes busca construir uma sociedade inclusiva por meio da arte.