09 de julho de 2026
Bairros

Correio doará recicláveis à cooperativa

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A partir do ano que vem, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) de Bauru deverá destinar, oficialmente, cerca de 10 toneladas dos seus resíduos recicláveis à Cooperativa dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis (Cootramat) mensalmente. Com isso, a expectativa é que a renda dos 24 cooperados seja incrementada e que mais trabalhadores sejam recrutados para dar conta do aumento da demanda. Hoje, a cooperativa comercializa mensalmente cerca de 70 toneladas de lixo reciclável.

A iniciativa da ECT obedece ao decreto federal 5.940, de 2006, que determina que todos os órgãos públicos federais destinem o lixo reciclável a associações e cooperativas de catadores, através do programa Coleta Seletiva Solidária. Há cerca de três semanas, a ECT já vem destinando parte dos recicláveis produzidos pela empresa, especialmente papéis, à Cootramat. No entanto, somente a partir de 2008 a doação será oficializada pelo governo federal.

Ontem, em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente (Semma), a ECT sediou o 1º Fórum de Reciclagem Solidária, com o objetivo de sensibilizar empresários bauruenses a também separar o lixo reciclável e destiná-lo a organizações de catadores. No próximo dia 8, será realizado o segundo encontro, quando as empresas interessadas em participar do programa devem assinar uma carta de intenções.

“Distribuímos hoje (ontem) a proposta dessa carta aos empresários, eles irão estudar e, no próximo fórum, já teremos uma definição de quem irá contribuir e de que maneira”, explica o assessor técnico da ECT, Sandro Ferreira Caldeira, salientando que o objetivo do projeto é colaborar com a inclusão dos catadores de materiais recicláveis e com a preservação do meio ambiente.

A expectativa é que, até o final do ano, já sejam definidos os nomes das empresas colaboradoras e das cooperativas inscritas para receber o benefício. Além da Cootramat, também devem ser beneficiadas outras cooperativas da região, como as de Lençóis Paulista, Macatuba e Barra Bonita. “A idéia é que, a cada seis meses, uma das entidades inscritas seja escolhida para receber o nosso lixo. Acreditamos que, até no começo do ano que vem, esse esquema já seja colocado em prática”, frisa Caldeira.

Coleta seletiva

Para o diretor de Articulação Governamental do Ministério do Desenvolvimento Social, Fábio Cidrin, que ministrou palestra durante a realização do fórum, o ambiente em Bauru é favorável para que o projeto se sedimente na cidade. “A prefeitura de Bauru está comprometida em ampliar a coleta seletiva apoiando a cooperativa que existe na cidade. Nesse caso, o trabalho para estabelecer esse projeto já fica bastante adiantado”, observa. “Esperamos que as empresas vejam que essa é uma possibilidade de transformar vidas e incluir socialmente pessoas que são invisíveis para grande parte da sociedade”, conclui.

Representando a Semma no evento, a diretora do departamento de ações e recursos ambientais Marina Carboni frisou que esta parceria irá representar um significativo aumento do volume de materiais recicláveis para a Cootramat, o que deve incrementar a renda dos cooperados e até mesmo demandar mais trabalhadores no local. “Estamos correndo contra o tempo para estruturar bastante a cooperativa, aumentar o barracão de separação, a quantidade de equipamentos, para que consigam atender essa nova demanda”, frisa.