08 de julho de 2026
Regional

Usina nuclear: população não corre risco

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

Barra Bonita - A Eletronuclear alivia um pouco a apreensão de certa parte da população que vive à beira do rio Tietê, onde se especula que em Barra Bonita (43 quilômetros a sudeste de Bauru) haverá uma usina nuclear. Por enquanto, não há nenhum local definido para a construção das usinas que eventualmente poderão ser levantadas no Interior paulista e o prazo para que isso venha a acontecer é de, no mínimo, dez anos.

As informações são de Leonam dos Santos Guimarães, chefe de Gabinete da presidência da empresa estatal responsável pela operação das usinas nucleares do Brasil. Segundo ele, existe sim a previsão de geração de 4 mil megawatts (MW) por intermédio de quatro novas usinas nucleares instaladas, duas na região nordeste e duas na região sudeste. As primeiras a serem construídas seriam as nordestinas, enquanto as sulinas ficariam para depois. O prazo para tudo isso acontecer vai até 2030.

Guimarães afirma que não foi feito nenhum estudo detalhado das possíveis localidades que receberão as quatro usinas. Mas ele adianta a existência de cinco macrorregiões candidatas. “No nordeste, é a área do baixo rio São Francisco e, na mesma linha, sem análise detalhada, olhando o mapa do sudeste, as localidades levantadas são a região de Vitória (Espírito Santo), do vale do rio Doce e baixo rio Grande (Minas Gerais), além do baixo Tietê (São Paulo)”, revela.

Ao que tudo indica, o governo não voltará atrás com relação ao plano de instalar as quatro novas usinas nucleares. Segundo Guimarães, a decisão está contida no Plano Nacional de Energia 2030, elaborado pelo Ministério de Minas e Energia. “O documento projeta a demanda futura de energia do País. Através de todas as alternativas disponíveis no território, são feitos planos para atender essa necessidade”, explica.

Ele descarta que a escolha pelo sistema nuclear seja uma decisão meramente política e se baseia nos estudos. “Quando se chega a essa quantidade necessária de 4 mil MW nucleares mesmo após o término de Angra 3, significa que já estão consideradas todo o potencial hidroelétrico, eólico, ou seja, todas as alternativas que podem ser implementadas até a data prevista”, diz.

De acordo com chefe de gabinete da Eletronuclear, não existem outras opções mais práticas à vista no País. “Se a gente quiser substituir essa demanda (nuclear), teríamos que buscar alternativas que não estão plano. Sendo assim, estaríamos basicamente restritos ao gás natural e ao carvão mineral, mas ambos teriam que ser importados”, afirma.

Desmistificação

Para Guimarães, a população precisa de mais informações a respeito da geração de energia através de fissão nuclear. “Existe muita discussão a respeito e também diversas afirmações alarmistas sem fundamento técnico. Ninguém destaca que, por um princípio físico, reatores nucleares não explodem”, diz.

O chefe de Gabinete destaca que existiram dois grandes acidentes nucleares no mundo, o de Three Mile Island, em 1979, nos Estados Unidos, e o de Chernobyl, em 1986, na antiga União Soviética. “Em Three Mile, ocorreu o pior cenário possível para um reator, mesmo assim não houveram vítimas ou impacto no ambiente, o que demonstrou a qualidade do conceito de segurança empregado na usina”, afirma.

No caso de Chenobyl, a radioatividade teria atingido 15 países e levado 4 mil pessoas à morte. “Um acidente como este é praticamente nula em todo o mundo. Aquilo ocorreu porque o reator de tecnologia soviética tinha um sistema de refrigeração que utilizava grafite. A temperatura foi muito alta, o grafite começou a pegar fogo e a fumaça espalhou a radioatividade”, explica. “Hoje, 80% das 440 usinas espalhadas pelo mundo utilizam água no lugar do grafite”, completa.

As usinas brasileiras utilizam esse tipo de tecnologia e existe um plano de emergência caso ocorra algum problema nos reatores. “A chance é remota, mas acidentes podem acontecer. Nosso plano de segurança prevê que, em caso de acidente grave, deve ser evacuada toda a área num raio de cinco quilômetros a partir da usina. Fora desse perímetro não há impacto”, garante.

Guimarães revela que a Eletronuclear recebeu correspondências de diversas câmaras de vereadores das cidades do Interior paulista repudiando a provável construção de uma usina à beira do rio Tietê. “Enviamos respostas nos prontificando a realizar palestra informativas sobre a energia nuclear para prestar esclarecimentos. Além disso, convidamos todos para visitar as instalações das usinas em operação em Angra dos Reis, mas não obtivemos nenhuma resposta”, afirma.

• Serviço

O chefe de Gabinete da Eletronuclear disponibilizou o seu e-mail particular para contato direto por parte de autoridades dessas cidades: leonam@eletronuclear.gov.br