Itapuí – Para tentar recuperar uma área de cerca de dez hectares do que antes era uma mata de preservação e que foi consumida pelo fogo no início deste mês, a Organização Não-Governamental (ONG) Bica de Pedra de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) deu início nesta semana ao plantio de mudas de árvores nativas no local.
De acordo com o coordenador da ONG Bica de Pedra, José Vitor Ficcio, serão plantadas cerca de 15 mil mudas na área, com a ajuda de empresas locais. A área a ser recuperada é um espaço equivalente a dez campos de futebol e está localizada na Fazenda Retiro do Tietê. “Nós resolvemos nos unir com o pessoal para poder solucionar este problema e evitar que aconteça mais problemas ainda. Porque esta área está ligada ao último remanescente florestal do município”, explica Ficcio.
O remanescente florestal citado pelo coordenador da ONG pertence ao Frigorífico Itabom que adquiriu a área de oito hectares há alguns anos e a disponibilizou para a ONG cuidar. De acordo com Ficcio, a empresa emprestou três funcionários e dois tratores para preparar a área atingida pelo fogo (localizada ao lado da reserva florestal) para receber as mudas.
“Nós temos parceria com a ONG, principalmente com relação às águas mananciais de reflorestamento porque é uma filosofia da empresa. Principalmente porque a cidade já foi muito desmatada. Tem uma área que corresponde mais ou menos a 8 hectares que é da Itabom e a ONG cuida”, explica Tiago Silvestre Cabola, supervisor de marketing da empresa. De acordo com a ONG, a área comprada pela empresa corresponde a 80% da vegetação total existente na cidade atualmente.
Cerca de quatro mil mudas de árvores nativas também serão doadas pela AES Tietê para o projeto de recuperação da área. “Eu recebi um representante da AES Tietê, de Promissão, para fazer a vistoria no local e autorizar a área para a gente plantar. Ele veio conhecer o nosso trabalho e vai doar uma quantidade de mudas”, explica Ficcio, ressaltando que a AES também deve enviar uma equipe para ajudar no plantio das mudas.
A ajuda da AES é importante, segundo Ficcio, porque os viveiros de mudas mantidos pela ONG não são suficientes para atender a demanda do município. “O viveiro que nós temos está com tamanho incompatível com o tamanho do trabalho que nós fazemos, não está dando conta do recado”, explica. O ambientalista ressalta que além dessa área, a ONG também cuida de outros locais de preservação daí a necessidade de parcerias com empresas.
O trabalho de recuperação da área de preservação deve levar alguns anos, segundo o coordenador da ONG. “Precisa pelo menos de 3 a 4 anos de cuidados até a muda poder se formar”, conclui Ficcio.