É comum ouvir dizer que “na política só dá safado”, que “políticos são todos ladrões” ou coisa parecida. Na verdade, para que a arena política brasileira seja saneada, três são os requisitos básicos: que os homens de bem percam a vergonha de se lançar na política; que a legislação e justiça eleitorais sejam mais rigorosas e ousadas para impugnar candidaturas e punir os intocáveis; e finalmente que o eleitor seja ousado o suficiente para investigar o candidato que se lança na política, ou mesmo aquele que já está na política há algum tempo antes de digitar seu número na urna eletrônica. Homúnculos que usam óleo de peroba como loção pós-barba são suficientemente atrevidos para distribuir santinhos em época de eleição, fundar instituições nas vilas onde moram, "virar evangélicos" nos meses que antecedem as eleições.
Tudo isso com a escusa intenção de ganhar um cargo eletivo e depois fazer tudo diferente do que propôs na propaganda eleitoral. Essa investigação prévia se aplica também às empresas, igrejas, instituições de caridade, escolas e outras atividades que envolvam o interesse coletivo. Não foram poucas as vezes em que ouvi empresários lamentando terem dado um cargo dentro da empresa a alguém que depois o decepcionou. Quando alguém se oferece para cuidar de alguma coisa deve ser investigado antes para se saber se tem estatura moral para honrar a função que diz desejar desempenhar com zelo, honestidade e dedicação. Se quer tomar conta do milharal, investigue se não é bode, se não é roedor. Se se propõe a cuidar de galináceos, investigue se não é vulpino.
Se diz ter qualidades para administrar um banco de sangue, investigue se não tem os mesmos pendores do Conde Drácula. Agora, deixando de lado as metáforas, se se coloca à disposição para tomar conta do dinheiro do velhinho solitário e analfabeto, investigue seu passado como "agente financeiro", se é honesto com suas próprias contas. Se se mostra voluntário para manusear valores de uma instituição de caridade, investigue se é filântropo ou pilântropo. Se diz se sentir muito bem cuidando de crianças carentes, investigue se não é pedófilo.
E, o mais importante, se se candidata a cargo eletivo, investigue sua vida pessoal, profissional, empresarial, financeira e familiar. O mau pai, o mau professor, o mau advogado, o mau funcionário público, o mau patrão e o mau filho não abrirão mão de suas "convicções pessoais" depois de eleitos. Serão maus vereadores, maus prefeitos, maus deputados, etc.
Sidnei Rodrigues - RG 10.347.093