Buenos Aires - Hoje, cerca de 27 milhões de argentinos das 24 Províncias que compõem o país deverão ir às urnas para votar para presidente, vice-presidente e deputados federais. Oito Províncias irão eleger também novos governadores e senadores. Além do presidente - cujo mandato é de cinco anos - um terço do Senado e metade da Câmara serão renovados. O voto na Argentina é obrigatório, e facultativo aos cidadãos que moram no Exterior. A senadora e primeira-dama, Cristina Kirchner, é a favorita e, segundo pesquisas de intenção de voto, deve ser eleita no primeiro turno.
Grande parte de sua popularidade se deve ao seu seu marido, Néstor Kirchner, que assumiu em 2003 um país que lutava para se recuperar da recessão econômica e da crise política.
O descrédito em que mergulharam os políticos e seus partidos tem como conseqüência a apatia e o desinteresse do eleitorado - assim como a quase certa eleição de Cristina, já que não há uma real disputa em jogo. Todos os quatro principais candidatos - Cristina Fernández de Kirchner, Elisa Carrió, Ricardo Lopez Murphy e Roberto Lavagna - têm uma trajetória política e experiência que poderia fazer deles bons governantes.
Porém, apenas Cristina tem sua imagem vinculada à de Kirchner e às suas políticas bem-sucedidas. E até agora, ela promete o que o povo quer: mais do mesmo. Não houve disputa para decidir quem seria o candidato do governo em 2007. A decisão, vertical, partiu do próprio presidente. Sua mulher, Cristina, diz que pretende manter as mesmas políticas do marido.
Avanços
O crescimento previsto para 2007 na Argentina é de 8%, bem acima dos países vizinhos. Nos quatro anos da administração atual, o desemprego caiu de cerca de 25% para cerca de 8%.
A proporção da população vivendo abaixo da linha de pobreza foi de 53%, quando Kirchner assumiu, para cerca de 26% atualmente. Vale lembrar também que as indústrias argentinas hoje funcionam no limite de suas capacidades de produção, dado o consumo impulsionado pelas políticas do atual governo. Kirchner também fomentou políticas de direitos humanos, investindo nos julgamentos dos militares - e até de um capelão - envolvidos em crimes durante a ditadura e realizou reformas na Suprema Corte do país.
Apesar dos avanços, há diversos pontos que podem ser criticados na gestão do presidente. Pelos dados oficiais do Indec (o IBGE local), a inflação na Argentina neste ano é de cerca de 8%. Entretanto, é patente que os números são manipulados. Institutos independentes estimam um número duas vezes maior, e os preços em algumas Províncias tiveram aumento mais de 22%.
A segurança pública é um dos assuntos que atualmente, segundo diferentes pesquisas de opinião, mais preocupam os argentinos. Há ainda o déficit energético em que o país se encontra. O inverno argentino já passou, mas, neste mês, houve cortes de energia para algumas indústrias. A demanda por gás das indústrias e casas supera em muito a oferta,o que explica a simpatia de Kirchner por Chávez.