Não bastasse a falta de valorização dos governos, os salários defasados em relação à iniciativa privada e a falta de estrutura e condições de trabalho, o servidor público ainda tem que conviver com o preconceito de parte da população. A discriminação está ligada à tradição, difundida na sociedade, de que o servidor não trabalha.
Para o presidente da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo (AFPesp), Antônio Luiz Ribeiro Machado, essa tradição está assentada por causa da entrada de pessoas que não prestaram concurso na administração pública, os chamados cargos de confiança, indicados por interesses políticos, mas que não integram a administração. “Eles comprometem a imagem do servidor”, destaca.
O administrador da Executiva Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Bauru, Cristino Aparecido Cabrera Machado, faz coro ao presidente da AFPesp. Segundo ele, foi criada uma cultura de que o servidor tem um estereótipo de não trabalhar, de entrar no funcionalismo para se encostar em um emprego estável. “Hoje, na verdade, o servidor tem um comprometimento maior com a sociedade”, ressalta.
A diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm) Idelma Corral também aponta que ainda recai sobre os servidores a culpa do mau funcionamento da máquina. Segundo ela, houve casos de agressão física a servidores, principalmente na área da saúde, mais especificamente no Pronto-Socorro (PS) Central.
“Nosso trabalho é mostrar para a população quem é o verdadeiro culpado. Valorizar o servidor é valorizar a população. A culpa não é dos servidores, mas da administração”, afirma.
Para o presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) de Bauru, Norival Agnelli, antes de fazer qualquer juízo de valores sobre os servidores, é preciso se refletir a respeito de quem é a culpa pelo descaso no atendimento à população em alguns setores do serviço público, sobretudo na área da saúde, considerada uma das mais críticas. “É difícil culpar o funcionário. Será que ele não é vítima do descaso dos governos? O governo federal desvia tantos recursos, com os mensalões da vida, que seria muito bem vindo para a saúde, transporte, educação”, afirma.