09 de julho de 2026
Geral

Pedestres enfrentam viadutos com defeitos e muretas baixas

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

O pedestre anda pela calçada. A certa altura do caminho para o trabalho, para a escola, existe um viaduto. Logo na primeiro passo é preciso transpor um degrau. Depois a atenção se divide entre desviar dos buracos, prestar atenção nas pessoas que podem estar escondidas no mato alto das redondezas e se proteger do fluxo de carros que passam rápido a cerca de um metro e meio de distância. Ao final da saga, mais um degrau e depois vem a sensação de alívio.

É exatamente isto o que ocorre com os pedestres que precisam diariamente transpor os sete viadutos urbanos mais importantes de Bauru: João Simonetti, Juscelino Kubitschek, Antônio Eufrásio de Toledo, Rodrigues Alves-Rondon, Duque de Caxias-Rondon, Duque de Caixas-Nações Unidas e Alfredo Maia-rio Bauru.

A reportagem do JC percorreu, a pé, todos eles e constatou que a situação não é agradável principalmente para idosos e deficientes físicos. Existem buracos, desníveis, lixo, mato alto nas encostas, mureta de proteção baixa, ausência de proteção isolando pedestres e carros e nenhuma rampa de acesso para cadeirantes.

As duas construções que proporcionam melhores condições para os pedestres são os viadutos da Duque de Caxias sobre a rodovia Marechal Rondon e o da Rodrigues Alves também sobre a Marechal Rondon. Em ambos a situação da calçada é razoável, com poucos defeitos. Além disso a mureta de ferro que protege contra quedas é alta e existe também um muro para evitar que acidentes entre veículos atinjam as pessoas no passeio público. No entanto, existe mato alto e lixo, à noite o local é escuro.

No famoso “pontilhão” da Duque com as Nações, o perigo está ao lado do pedestre. “Há pouco tempo eu e meu filho passávamos por aqui. Ocorreu um acidente e por poucos metros ele não foi atingido”, conta o zelador Orlando Neres dos Santos, que passa diariamente pelo local.

O viaduto é famoso pelo tráfego intenso de veículos e também pelo abuso de velocidade. Ali, o pedestre vira refém porque a guia é rebaixada e não há nenhum outro dispositivo de proteção. Para tentar se prevenir de acidentes, a maioria dos pessoas anda no sentido contrário ao fluxo de carros, observando a movimentação.

No viaduto Antônio Eufrásio de Toledo, prolongamento da rua José Aiello, a proteção é melhor, já que a calçada fica cerca de um metro acima da rua. No entanto, o pedestre menos atento pode tropeçar em vários buracos e degraus.

A calçada mais danificada de todas é a do viaduto que liga a avenida Alfredo Maia à avenida Pedro de Toledo. “Tropecei num buraco, torci o pé e esfolei todo o joelho”, conta Emília Petenuci, que mora a poucos metros dali.

Assim como nos outros, o viaduto Juscelino Kubitschek, o JK, na rua Azarias Leite, tem irregularidades no piso. No entanto, o que mais incomoda Rosemeire dos Santos é a falta de visão. “Eles (carros) passam perto e não conseguimos enxergar o que está acontecendo”, diz. Ali existe uma curva, e no início do viaduto a calçada é estreita, principalmente no sentido Centro-Bairro, só passando uma pessoa por vez.

O viaduto que transpõe o rio Bauru e dá vazão ao fluxo da rua 13 de Maio rumo à Bela Vista não foge à regra. Mas o medo fica por conta da mureta de proteção. Ela é totalmente torta e atinge apenas a cintura de uma pessoa com 1,75 metro de altura. “Fui assaltada esses dias. Tenho medo que aconteça alguma coisa e alguém me empurre e eu caia lá embaixo”, conta a atendente Franciane França, que passa pelo local duas vez por dia.

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‘Na medida do possível’

A manutenção dos viadutos na área urbana de Bauru é responsabilidade da Secretaria Municipal de Obras. Aliás, o órgão é responsável por tudo no que diz respeito à infra-estrutura da cidade. Não é novidade para ninguém que existe um déficit de funcionários na divisão. Por isso, as obras e reparos são realizados sempre de acordo com a disponibilidade de maquinário e mão-de-obra.

Segundo o titular da pasta, Paulo Brites, os reparos são feitos mediante à constatação da necessidade. Isso ocorre através de solicitações da população e de funcionários da Secretaria de Obras. “Não temos gente suficiente para atender toda a demanda”, revela Brites.

Segundo ele, não existe nenhum projeto previsto para revitalizar os viadutos e dar mais segurança para os usuários desses locais. No entanto, ele informa que atualmente a Secretaria de Planejamento estuda a contratação de uma empresa que fará o levantamento das condições estruturais de todas essas construções.