A Embrapa Agroindústria Tropical, em parceria com a Companhia de Óleos do Nordeste (Cione), lançou os primeiros clones de cajueiro comum para plantio comercial - o BRS 274 (Jacaju) e o BRS 275 (Dão) - durante o 4º Caju Nordeste, realizado na semana passada, em Aracati. As novidades buscam atender a uma demanda por castanhas de caju de tamanho maior, voltadas para a exportação. Eles também podem ser explorados comercialmente pela indústria de sucos.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, João Rodrigues Paiva, os frutos chegam a pesar 16 gramas, no caso do BRS Jacaju, valor superior ao de 12,5 gramas, obtido com mais recente clone de cajueiro anão-precoce lançado pela Embrapa em 2005. O clone BRS Dão traz uma outra novidade: ele é o primeiro clone de cajueiro híbrido, gerado a partir do cruzamento do cajueiro comum com o clone de um cajueiro anão-precoce (CCP 1001).
Após a seleção dos descendentes, foi realizada a multiplicação vegetativa da planta para obtenção do clone. A avaliação dos clones foi feita em experimento instalado na Fazenda Jacaju, de propriedade da Cione, no município de Beberibe (CE).
O clone BRS Jacaju, por sua vez, originou-se da seleção de uma planta matriz de cajueiro comum, na Fazenda Uruanã, de propriedade da Cione, em Beberibe. A clonagem e avaliação da cultivar também foram realizadas na Fazenda Jacaju.
O objetivo dos dois lançamentos, afirma João Rodrigues Paiva, é modificar, a médio e longo prazo, o quadro atual da cajucultura, com a produção de matéria-prima de melhor qualidade, trazendo benefícios a todos os participantes da cadeia produtiva. Os novos cajueiros têm uma altura intermediária, chegando a 5,3 metros de altura, em média, na idade de oito anos. Uma planta de cajueiro comum tem uma altura média estimada entre 8 e 15 metros.
De acordo com o pesquisador, os novos produtos atendem a uma necessidade do produtor do Nordeste. “Os cajueiros comuns não são uniformes e têm um nível menor de produtividade. A expectativa é que a aceitação dos clones seja maior, já que eles fazem parte da cultura local, são mais tradicionais”, disse.
Os novos clones são resultado de 14 anos de pesquisa e de uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais das áreas de melhoramento genético, fitopatologia, entomologia e pós-colheita. O trabalho teve início com a seleção de plantas e obtenção de progênies (conjunto de descendentes) e passou por uma série de avaliações até chegar à etapa atual, de recomendação em larga escala.