09 de julho de 2026
Geral

Estímulo à leitura deve partir do meio familiar e professores

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

A falta de gosto da maioria dos jovens brasileiros pela leitura não é uma novidade. Quem na adolescência não sofreu para ler alguns livros apenas para conseguir se sair bem na prova? Para a consultora educacional Leila Rensi, mestre em teoria literária pela Universidade de Campinas (Unicamp) e autora do material de língua portuguesa do Sistema Anglo de Ensino, a solução para reverter esse quadro é introduzir o livro na vida das pessoas o quanto antes, na primeira infância se possível.

Segundo Leila, que no último sábado esteve em Bauru para ministrar uma palestra sobre o tema durante a segunda conferência do Colégio Fênix, a família e a escola estão no centro da questão.

Para a consultora, uma das principais razões para a falta de leitura dos jovens é ausência do exemplo no lar. “Muitas famílias não têm livros à mostra. A televisão e o computador estão sempre ligados nas casas, enquanto os livros só enfeitam a estante”, compara Leila. “Nas famílias onde a leitura é uma constante, a tendência é que os filhos também leiam... Você só incentiva o seu filho a fazer alguma coisa se você é o entusiasta”, completa.

De acordo com Leila, o ideal seria que cada criança, ainda bebê, já tivesse livrinhos de pano para brincar e se acostumar com o objeto, vendo-o como parte do seu dia-a-dia até mesmo durante o banho. A leitura de histórias pelos pais também é estimulada pela consultora. “Para a criança isso é inesquecível”, acredita.

A escola também tem sua parte de responsabilidade na falta de leitura dos jovens, na opinião de Leila. “A escola trabalha com o conhecimento. Se a família não faz, a escola tem que fazer porque não é possível ter conhecimento pleno - com um trabalho intenso de raciocínio, de reflexão - sem leitura”, diz. Para ela, o estudante que não gosta de livros pela ausência de estímulo no lar, muitas vezes não encontra professores que o faça mudar de idéia. “Isso acontece porque temos professores que não são leitores... ou são leitores de livros de qualidade duvidosa”, explica a consultora.

A falta de continuidade no trabalho de incentivo à leitura durante a troca de professores das turmas, a pouca popularidade do livro – muitas vezes visto como tedioso – e excesso de trabalhos e provas obrigatórios completam a série de obstáculos da leitura na escola. “Atualmente se confunde trabalho com livro com gosto pela leitura. Acham que despertam o gosto pela leitura através de provas e trabalhos”, critica Leila, que defende a leitura livre.

“A escola tem que ter uma oferta de livros variada na biblioteca e tem que deixar que o aluno escolha o que quer ler. Não adianta fazer com que um aluno que nunca leu pegue um livro grosso, ele não agüenta”, diz. Com a liberdade para ler o que quiser, ao professor cabe o papel do incentivo, segundo Leila. “Se a escola tem professor leitor, o trabalho será feito”, acredita.

Para consultora o importante é que o jovem leia, mesmo que sejam revistas em quadrinhos. “Melhor ele ler qualquer coisa que goste do que ser forçado”, afirma. Para ela, a popularização dos mangás (quadrinhos japoneses) estimulou a leitura para uma boa faixa da juventude, assim como fez a Internet através dos chats. “É claro que com o passar do tempo o professor deve orientar o aluno para que ele não leia apenas quadrinhos ou fique o tempo todo no computador”, lembra Leila.