11 de julho de 2026
Nacional

Ministério Público investiga possível mensalão em governo de Zeca do PT

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Na investigação sobre esquema de caixa dois supostamente comandado por Zeca do PT, que governou o Mato Grosso do Sul de 1999 a 2006, o Ministério Público Estadual apreendeu livro com anotações de possíveis pagamentos mensais a vários políticos. O esquema, segundo o Ministério Público, desviou R$ 30 milhões em verbas de publicidade durante o governo de Zeca.

A suspeita dos promotores é de que o dinheiro desviado tenha sido usado para pagamento aos parlamentares citados no livro. Os pagamentos mensais teriam ocorrido de agosto de 2004 a abril de 2005. Raufi Marques, ex-secretário de Governo de Zeca do PT, disse à reportagem que pediu à sua então secretária e ordenadora de despesas Salete Terezinha de Luca que fizesse as anotações.

O livro foi apreendido na casa de Salete. Raufi afirma, porém, que as anotações se referiam a campanhas eleitorais e à disputa interna pela direção estadual do PT. “Não tinha nada a ver com o governo. Preciso analisar para ver a que se referem.”

Por causa do suposto esquema, o ex-governador foi denunciado pelo Ministério Público por peculato (desvio de dinheiro público) em duas ações diferentes. Ontem, a Justiça Estadual aceitou ambas. O promotor Marcos Antônio Martins Sottoriva disse que encaminhou na semana passada o livro com anotações para a Procuradoria Geral da República em Brasília, que pode pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) investigação contra deputados e senadores - com foro privilegiado, não podem ser investigados em nível estadual.

O Ministério Público também fará uma perícia no livro, que já foi anexado à ações penais movidas contra o ex-governador na Justiça de MS. Conforme a denúncia, Zeca do PT e Raufi Marques pediam à funcionária do governo Ivanete Leite Martins que procurasse agências de publicidade que tivessem contratos públicos para “levantar dinheiro”.

Após não conseguir ajuda de petistas para conseguir emprego e fazer o tratamento de saúde da mãe, Martins procurou a imprensa no início do ano para revelar o suposto esquema, que funcionaria da seguinte forma: Agências de publicidade apresentavam orçamento falso para prestar os serviços encomendados pelo governo, como, por exemplo, a confecção de cartilhas educativas.

O trabalho não era feito, mas gráficas em acordo com as agências apresentavam notas frias para cobrar pelo serviço - segundo a Promotoria, com o conhecimento de Zeca do PT. O governo pagava pelo trabalho. A agência ficava com 15% do valor e a gráfica com até 17%. O resto do dinheiro voltaria ao gabinete do governador em esquema de caixa dois para pagamentos, diz a Promotoria.