08 de julho de 2026
Política

Borges abre mão e Caio é o candidato

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Antes eram quatro. Depois da saída de Antonio Carlos Garmes para o PTB ficaram três. E agora parece que o ninho tucano bauruense se encaminha para definir por uma candidatura única ao Palácio das Cerejeiras nas eleições do ano que vem. Isso porque o vereador Marcelo Borges (PSDB), até então um dos três pré-candidatos da sigla, anunciou ontem ter desistido de concorrer à prefeitura em 2008. E mais: revelou também que a cúpula do partido já decidiu que Caio Coube será o candidato do PSDB e que o coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges abrirá mão de sua pré-candidatura em favor do consenso pelo nome do empresário.

Borges explicou ao JC que tomou a decisão por entender que o partido não realizará as prévias internas - procedimento que sempre defendeu e foi favorável - para definir o nome do candidato tucano para concorrer nas eleições 2008. “Defendia a prévia porque acho mais democrático que 3 mil filiados definam quem é o candidato a prefeito. Isso está dentro do nosso estatuto e é o processo mais democrático que existe, pois nelas os votos dos militantes e filiados são iguais aos da cúpula”, salientou. E acrescentou:

“Consegui cerca de 70 assinaturas, entre membros e delegados de convenções, defendendo a prévia. Mas, infelizmente, a executiva do partido não tem encaminhado para a prévia, tem postergado a decisão e tenho acompanhado a sinalização da direção de se propor sempre um consenso retirando uma candidatura. Mas acho que o consenso deveria ser obtido nas idéias, pois o partido se enriqueceria se houvesse debate de idéias e propostas.”

Borges frisou ter resolvido sair da disputa para ajudar o partido a não cometer os mesmos erros do passado, quando não disputou a eleição para deputado federal. “Tínhamos definido um calendário acordado em convenção partidária prevendo que em novembro estaríamos fazendo as prévias. E deixando mais para a frente essa decisão prejudicaria o próprio candidato escolhido, pois uma campanha precisa de estruturação financeira, de materiais, bases e alianças. A direção do partido errou no passado na candidatura a deputado federal, pois ficaram postergando e acabamos não tendo candidato. E como sou um cara militante e fiel acho que não podemos errar novamente”, justificou o parlamentar.

O vereador esclareceu que, com sua desistência, poderá ajudar o candidato escolhido pela cúpula a encaminhar o processo político direcionado às eleições do ano que vem. “O candidato está consolidado e cabe agora o partido trabalhar para eleger seu candidato a prefeito. E, como militante, continuarei dentro do partido e estarei engajado fazendo campanha para o candidato que a cúpula escolheu, que é o Caio Coube, o que é público e notório”, revelou Borges. E completou adiantando que o coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges também abrirá mão de sua pré-candidatura em favor do empresário:

“Estão calando a militância, pois não estão deixando-a decidir, o que é ruim, mas como militante trabalharei firme para o candidato do partido que a cúpula está colocando. Respeito isso, pois faz parte do jogo político. A cúpula já decidiu e todos já me falaram. Vários vieram conversar comigo que trabalham pelo consenso, que é o Caio Coube. Isso o próprio Eclair já veio falar para mim, que ele é o candidato porque tem mais viabilidade eleitoral e irá abrir mão.”

O parlamentar tucano considerou, ainda, que a partir de agora Coube terá mais tranqüilidade para efetuar as articulações políticas em favor de sua candidatura. “Será até melhor para ele, pois poderá negociar com tranqüilidade sem ter uma disputa interna e sem ficar postergando a decisão, o que é ruim para o candidato, que passa a ter compromissos. Ele tem todas as condições de sair, amarrar e costurar alianças que achar necessário, estruturando uma campanha político-financeira. Continuo na minha tranqüilo sendo aquele militante engajado na campanha do partido como sempre fui. Vou trabalhar e ficar envolvido na campanha como sempre trabalhei”, garantiu.

Sem ressentimentos

Borges enfatizou que não guarda ressentimentos de nenhum membro do partido e que a decisão tomada foi amadurecida. “Saio desse processo com a maior tranqüilidade e sem mágoas. Foi uma decisão que amadureci nesse final de semana, de foro íntimo, e estou convicto. Gostaria muito de ser prefeito, pois acho que poderia contribuir com minha experiência de vida pública e política, mas na vida você não pode ter tudo o que quer. Fico tranqüilo com o que a população de Bauru já me deu, com um mandato de vereador bem votado”, salientou.

Por fim, o vereador agradeceu seus “companheiros”. “Agradeço, principalmente, aos militantes e filiados de longa data que se posicionaram e estiveram comigo e que vão se assustar e ficar tristes quando verem essa minha entrevista. Vou procurá-los para conversar e explicar os motivos”, concluiu. Borges vai disputar a reeleição à Câmara Municipal em 2008, e, talvez, voltar a postular seu nome como candidato tucano a deputado depois.