O deputado federal Milton Monti (PR) está defendendo junto à bancada paulista em Brasília (DF) a aprovação de emenda coletiva para investimentos federais na extensão dos ramais do gasoduto de Bauru até Botucatu e de Lins até Ourinhos. O parlamentar disse ontem que vai travar na bancada que o destino de recursos do orçamento deve privilegiar demandas de atração de investimento regional independente da demanda.
“Se for esperar o avanço do programa de concessões, que é importante, os chamados sub-ramais para diferentes regiões do Estado de São Paulo vão demorar muito para chegar. A bancada está receptiva para projetos estruturantes e eu estou travando o debate para que o gasoduto regional chegue a cidades mais distantes do eixo principal e que também precisam desse investimento para atrair investimentos, senão ficam para trás nesse processo”, contou Monti ontem.
A área de abrangência escolhida pelo deputado federal para a aplicação de investimentos da União no gasoduto está dentro do alcance da concessão obtida pela empresa Gás Brasiliano junto à Comissão de Serviços Públicos de Energia do Estado de São Paulo (CSPE) em dezembro de 1999. “Mas o programa de concessão contempla ramais importantes mas não chega a regiões como além de Bauru, Botucatu e Ourinhos, centros que precisam estar interligados com a disponibilidade do gás, e tem de ser investimento do tesouro para antecipar expectativa de demanda e funcionar como fator de impulsão regional, para ser atrativo. Se esperar a demanda da concessionária não sai”, enfatizou.
O deputado disse que vai apresentar aos deputados da bancada paulista que a concessão abrange dois elos do ramal principal, entre Lins e São Carlos, para o trecho pretendido pela emenda. Em um dos elos do trecho principal do gasoduto, a Gás Brasiliano já está compromissada em contrato em levar do eixo principal que passa em Iacanga o sub-ramal de Bauru a Agudos, com desvio até Pederneiras, depois até Lençóis Paulista e Barra Bonita.
No outro elo do gasoduto concessionado, um sub-ramal sairia do eixo principal que passa em Lins até alcançar Marília. “Se for esperar os sub-ramais não vai porque a concessionária vai depender do estudo de demanda para investir e ter retorno. Então vamos levantar o projeto e mostrar que é preciso a União induzir o avanço para os demais eixos, criando alternativa até Ourinhos, de um lado, e até Botucatu no outro”, completou.
A emenda de bancada passou a ter maior receptividade junto à elaboração do orçamento depois que a proposta passou a priorizar “projetos estruturantes”, dentro da filosofia do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A Gás Brasiliano é a concessionária responsável pela distribuição do gás natural, oriundo da Bolívia, para toda a área Noroeste do Estado de São Paulo, o que inclui as regiões de Bauru, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Araraquara, até as fronteiras com os Estados de Minas Gerais e Paraná.