11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Dia das Bruxas agita comércio, mas não cai no gosto popular

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

O Halloween, tradicional data festiva norte-americana, será comemorado hoje. Ao contrário do que acontece na terra do tio Sam, o dia das “gostosuras ou travessuras” nunca caiu nas graças do brasileiro, principalmente dos moradores de cidades do Interior. A tradição milenar iniciada pelo povo celta é transmitida basicamente por escolas de idiomas, o que movimenta o setor de venda ou locação de fantasias.

Segundo Cida Cornacchione, funcionária de uma loja de fantasias instalada há oito anos na cidade, o movimento em outubro é quatro vezes maior em relação aos meses considerados normais. “Em comparação com o Carnaval (outra data importante para o setor), atendemos a mesma proporção de clientes”, revela.

Os itens que mais chamam a atenção do público são as fantasias de bruxas, mas as campeãs de vendas são as máscaras de terror. De acordo com Cida, a maior parte da clientela é formada por adolescentes e crianças. “A maioria vem aqui por causa das festas das escolas de inglês”, conta.

A estudante Bruna Tayar Tepedino, 22 anos, participa da festa organizada anualmente pela escola de línguas que freqüenta há mais de cinco anos. “Eu gosto (da comemoração) porque é uma maneira de entrarmos em contato com algo que está enraizado na cultura do povo que estudamos”, destaca.

Nos Estados Unidos, Bruna pôde comprovar a força da data que praticamente pára o país. “A tradição é muito forte e é super legal. Lá, as pessoas saem, de verdade, fantasiadas na rua para pedir doces ou fazer as tradicionais travessuras”, conta.

Baixa adesão

Em outra escola de idiomas da cidade, neste ano não haverá comemoração especial do Dia das Bruxas. “Tradicionalmente, poucas pessoas participavam. A direção reduziu somente para algo específico às crianças e, mesmo assim, não houve uma participação maciça. Talvez seja pela falta de tradição no País ou mesmo pela proximidade do feriado”, explica a secretária Adriana Santos.

A diretora de outra escola de línguas, Adriana Cantanti Lara, não deixa a tradição passar em branco, mas revela que há certa resistência, principalmente dos pais. “Eu morava em São Paulo e estava acostumada com isso. Me mudei para Bauru e fui trabalhar num colégio. Lá havia muito preconceito dos pais com relação à data e nenhuma atividade era permitida”, revela.

O antropólogo Cláudio Bertolli sustenta o argumento de Adriana. Segundo ele, a partir dos anos 1990 as Capitais brasileiras iniciaram um processo de disseminação de culturas estrangeiras, o que incluiu o Halloween. “É uma espécie de busca em manter uma relação simbólica com os Estados Unidos. Em São Paulo, esse processo de busca pela globalização é maior”, explica.

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Origem indefinida

Não se sabe ao certo como surgiu a tradição de comemorar o Dia das Bruxas. A hipótese mais aceita é a de que a data teria surgido a partir dos festejos celtas do fim do verão e início do Ano Novo, marcado por fartas colheitas. O nome original da festa seria Samhain, ou Dia das Almas, já que aquele povo acreditava no encontro entre os mundos espiritual e material durante as noites de 31 de outubro.

No mundo moderno, o Halloween apareceu com força no século 19, quando irlandeses implantaram a festa nos Estados Unidos após a colonização, que atingiu seu ápice no século 17.

Para o antropólogo Cláudio Bertolli, a data, assim como outras importantes para os americanos, é lembrada em virtude da importância histórica para a sociedade na época em que foi disseminada.

“É algo que evoca o mito fundador da pátria, a recordação de uma trajetória histórica quando acreditava-se em bruxas e magia”, diz.

“Era uma espécie de crença dos colonizadores que no decorrer do tempo adquiriu sentido ambíguo, simpático com a dimensão lúdica”, complementa o antropólogo.