Com 1.327 casos de dengue registrados neste ano em Bauru, a Secretaria Municipal de Saúde está estudando adotar um sistema de “monitoramento inteligente” do mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, o que inclui a instalação de armadilhas na cidade para capturar a fêmea do inseto. Através da assessoria de imprensa da prefeitura, o secretário de Saúde, Mário Ramos, confirmou que buscou informações quanto às vantagens e desvantagens do sistema e, com base na apuração, encaminhou pedido de avaliação à Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos para saber a possibilidade legal de contratação de uma empresa para fazer o monitoramento e instalação das armadilhas.
A Ecovec, empresa mineira de biotecnologia que oferece o serviço de monitoramento e as armadilhas para várias prefeituras, como a de Paraguaçu Paulista, informa que as negociações com a Secretaria Municipal de Saúde de Bauru estão avançadas. A assessoria de imprensa da Ecovec informa que a empresa desenvolveu a tecnologia em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais, que inclusive, ganhou prêmio nos Estados Unidos.
O monitoramento semanal em tempo real, segundo a Ecovec, permite localizar onde estão os maiores focos do mosquito e economiza dinheiro e tempo - fatores preciosos nas ações preventivas contra a dengue. A tecnologia é constituída por armadilha para captura do mosquito adulto; atraente de oviposição sintético específico para fêmeas grávidas de Aedes aegypti, desenvolvidos e patenteados pela Universidade Federal de Minas Gerais; dispositivo de computação móvel (palm) e Geo-Dengue, software do sistema de informações georeferenciados, para processamento das informações e geração de mapas.
Questionada sobre quanto o monitoramento da dengue e as armadilhas custariam aos cofres municipais, a prefeitura não informou, argumentando que a contratação do sistema ainda está em estudo. A Ecovec explicou que o valor do serviço varia de acordo com o tamanho da cidade. Mas ressaltou que o sistema, se feito controle semanal, custa 90% menos que os métodos tradicionais, que se limitam a controle de quatro a seis semanas na época das chuvas.
Dos 1.327 casos de dengue registrados neste ano em Bauru, 1.254 são autóctones (contraídos na própria cidade), 57 importados e 16 em trânsito. Os sintomas da dengue clássica são febre alta, dor de cabeça principalmente na região ocular, dores nas articulações, músculos e muito cansaço. Também são comuns náuseas, falta de apetite, dor abdominal, podendo até ocorrer diarréia e vermelhidão na pele.
A preocupação maior é com casos da doença na forma hemorrágica, que pode provocar a morte da vítima. Ela pode se manifestar de três a cinco dias depois da clássica. A febre reaparece após ter cessado, causando suor, deixando a pele esbranquiçada e as extremidades frias. É comum dor de garganta, queda de pressão, dores no estômago e abaixo das costelas. As hemorragias ocorrem em pequena quantidade. Quando a doença fica ainda mais grave, o fígado fica mole e doloroso. As cólicas abdominais e a hemorragia aumentam, atingindo o tubo digestivo e os pulmões.
Em 2006, foram confirmados 54 casos de dengue em Bauru, sendo 24 autóctones, 28 importados e 2 em trânsito. Para coibir a proliferação do mosquito da dengue, é preciso cuidados de forma a evitar que vasilhames acumulem água, ambiente no qual o inseto se procria.