Depois do vendaval que, no momento de pico, atingiu quase 80 quilômetros por hora anteontem à noite e madrugada de ontem em Bauru, moradores de bairros da cidade que ‘tradicionalmente’ enfrentam problemas com enchentes e erosão ficaram temerosos. Com muros mais altos e barreiras para conter a água na entrada de suas casas, eles esperam a temporada de chuvas. Alguns improvisam obra de engenharia para conter a erosão no bairro onde moram.
É o caso da moradora do Parque Jaraguá Lígia Alves Ibanez. Ela colocou madeira e entulho na encosta de uma erosão que já chegou no quintal de sua casa. Mora no local há menos de um ano, mas já ouviu o comentário que não sai da boca dos vizinhos. “A cada ano que passa, a erosão fica maior. Se chegar na minha casa, terei que mudar, mas não imagino para onde”, desabafa. A vizinha Márcia Regina da Silva Lopes vive há 15 anos na mesma residência e também tem medo. “Muitas famílias abandonaram seus lares com medo da erosão”, conta.
Foi o que aconteceu com a cunhada de Maria Cristina Leme. “Ela pegou os filhos e se mudou, com medo da casa desmoronar”, disse. Deixou até roupas no varal e brinquedos das crianças. No quintal da residência, a erosão está a menos de cinco passos. Segundo a moradora, todos os moradores que estão na baixada sofrem com o mesmo problema.
A erosão também é um dos grandes problemas dos moradores do Jardim Ivone. Mas neste bairro, o secretário municipal de Obras, Paulo Brittes, disse que o entulho jogado no enorme buraco pode amenizar o problema.
Famílias que antes moravam próximo do Córrego da Grama, no Jardim Filomena, também fizeram as malas e se mudaram. Ana Lúcia Lopes, que reside no bairro há 15 anos, mora próximo do córrego. Ela não teve a casa invadida por água ou lama, mas reclama que a rua onde mora fica intransitável. “A pracinha não existe mais e fica difícil de andar pela rua”, disse.
O comerciante de uma fábrica de plástico reciclável da avenida Alfredo Maia, Jadson Leonel, alugou um galpão há quatro meses na quadra 1, local que enfrenta problemas de enchente todos os anos. “Antes de eu alugar, o galpão ficou meses parado. Resolvi aumentar o muro para impedir que a água entre. Espero que dê certo”, presume.
A mesma esperança têm os pastores da igreja Deus é Amor, localizada na mesma quadra da avenida. Uma grande escadaria na entrada da igreja é uma das obras realizadas no local contra enchentes. “Tivemos que ‘levantar’ a igreja cerca de um metro. Só saberemos se deu certo depois da primeira chuva”, diz o pastor auxiliar José Ortiz.
As famílias que moram na quadra 1 da rua Luís Ferrari, no Parque das Nações, também temem os temporais. “Na rua paralela (Augusto Bastazin), a prefeitura está colocando galeria de água pluvial. Já terminou a obra na quadra de cima (2), mas aqueles que moram na quadra 1 ficarão prejudicados”, diz Daniel Rodrigues, conhecido como índio. Ele acredita que a água do córrego irá transbordar e atingir as casas. “Já perdi todos os móveis por três vezes”, conta.
O secretário de Obras afirma que a galeria de água será suficiente para impedir que as casas sejam inundadas nesta temporada de chuvas.
Sobre a avenida Alfredo Maia, Brittes disse que as canaletas recém-colocadas devem impedir que a água do rio Bauru chegue até o comércio local. No Jardim Jaraguá, ele informou que um engenheiro irá até o local para verificar as condições da erosão. Só depois informará qual providência será tomada. Não há previsão de obras próximo do Córrego da Grama, no Jardim Filomena, nem na avenida Nações Unidas. “Naquele ponto (embaixo do viaduto) não tem solução. Quando o nível de água do rio Bauru aumenta, a região fica alagada mesmo”, falou.
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Defesa Civil aponta situação melhor
“Tranqüilo, a gente nunca fica na entrada das chuvas. A periferia, principalmente, sofre, mas neste ano estamos melhor preparados que no ano passado”, afirma o tenente Eros Pereira, coordenador da Defesa Civil em Bauru. Ele se refere ao estoque de 240 cobertores, 70 colchonetes, lonas pretas e agasalhos que dispõe para socorrer eventuais desabrigados e também à situação da cidade.
Ele afirma que Bauru ainda tem 21 locais de risco quanto à chuva, mas ressalta que obras realizadas pela administração municipal nos últimos anos amenizaram o problema. “Ainda temos locais com problemas sérios, como a erosão do Jaraguá, que demandam investimento alto em obras, mas temos outros em que a situação melhorou”, completa.