11 de julho de 2026
Cultura

Trio Tamoyo: som caipira cosmopolita

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 2 min

As ruas comprovam que não existem raças. Nelas, é possível se deparar com bocas carnudas em rostos de olhos azuis puxados, incrementados por cabelos black power. O tet-a-tet intercultural extrapola o campo da genética e corta roupas, modifica comportamentos e, óbvio, produz os mais variados sons.

Com viola caipira, bateria e um baixo acústico, o Trio Tamoyo apresenta sua fusão caipira cosmopolita nesta noite no Serviço Social do Comércio (Sesc).

O que esses sujeitos do Interior de São Paulo querem é fundir. De Piracicaba, Campinas e Araraquara, Fabius, Gali e Piza misturam os timbres de seus instrumentos para executar rock, jazz e sonoridades caipiras. A pegada eclética dos músicos vai trazer ao palco um repertório que varia de Beatles a Tião Carreiro, passando por Dorival Caymmi, Ataulfo Alves, Nação Zumbi e releituras rock de clássicos latino-americanos, como “Índia” e “Perfídia”.

Misturando daqui e dali, corre-se o risco de não saber mais quem é. Este não é o caso do Trio Tamoyo. “Não deixamos descaracterizar, todas as músicas têm uma pegada típica do grupo”, defende o responsável pela viola caipira com turbina de efeitos, Fabius.

Ele ainda avisa que o show em Bauru, intercalado de canções e versões instrumentais, terá músicas autorais feitas com base em pesquisas em etnomúsica brasileira.

“Vamos tocar duas músicas que vão sair no nosso CD”, diz Fabius. “Galo Índio”, nome do primeiro trabalho, deve ser lançado de forma independente até janeiro de 2008.

Som engajado

Por trás de toda esta fusão musical, está a proposta engajada do trio de “transmitir mensagens em favor do povo oprimido do campo e dos índios massacrados”, salienta o violeiro Fabius. O repertório e os arranjos são inspirados “na decadência da cultura caipira, deteriorada pela dinâmica do agrobusiness no Interior do Brasil”, continua o músico.

É sob o peso da responsabilidade de se apresentar na “cidade berço dos catireiros, violeiros e dos índios coroados”, nas palavras de Fabius, que o Trio Tamoyo vem a Bauru. Armados, os músicos vão usar o som de uma percussão indígena para homenagear os caigangues mortos pela chegada do trem na cidade ao tocar “Trenzinho Caipira”, de Villa Lobos.

O vínculo com Bauru e região se justifica na viola de cabaça, construída pelo luthier bauruense Levi Ramiro, e na viola catireira feita por Kleber Silveira, de Avaré.

Outro motivo dessa afinidade é Paulo Pires, baterista do Mercado de Peixe, que fez alguns ensaios com o grupo até Piza assumir o instrumento, em janeiro deste ano.

• Serviço

Trio Tamoyo se apresenta nesta noite, às 21h, na área de convivência do Sesc (avenida Aureliano Cardia, 6-71). Ingressos por R$ 2,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes), R$ 4,00 (usuários inscritos, estudantes com comprovante, professores da rede pública e maiores de 60 anos) e R$ 8,00 (outros). Mais informações pelo telefone (14) 3235-1751 de terça a sexta, das 13h às 21h30, sábado, domingo e feriado das 9h30 às 18h.