Em 10/9/2007, eu fui ao Hospital Manoel de Abreu, cheguei às 6h50, para um exame de raio X, agendado previamente em 31/8/2007. Havia umas 20 pessoas na minha frente. Por volta da 7h20, havia umas 15 pessoas atrás e uma funcionária informou que não haveria atendimento, pois uma máquina estava quebrada há um bom tempo e a outra também quebrou.
Disse que não tinham dinheiro para o conserto e que o hospital só possui duas máquinas de raio X. Informou que iria anotar o nome e o telefone de todos e, futuramente, entraria em contato, de acordo com instruções de sua gerente. Ela não poderia precisar a data do atendimento, pois dependeria de receber algo, mas não disse de quem ou o quê. Na fila, eu vi idosas reclamando que haviam tomado purgante e passado por dissabores. A pergunta que faziam entre elas era: e agora? Tinham até pessoas mancando. Eu não tenho nada com isso, mas fiquei abismado. Depois de terem seus nomes e telefones anotados, elas agradeciam com um sorriso no rosto pelo atendimento e pela educação da atendente. Mas eu entendi aquelas pessoas. Estão acostumadas com aquela situação.
Eu vejo tanta propaganda do governo sobre PACs, mas, convenhamos, essas siglas deveriam receber outra denominação, como programas ao cidadão. De que adianta acelerar um carro quebrado? Com certeza, ele vai ficar no meio do caminho e queimar combustível à toa.
Investimento na saúde é primordial. É preciso investimento em quem é o responsável pela geração de energia que mantém a máquina funcionando. A meu ver estão acabando com a saúde pública, estão matando as galinhas dos ovos de ouro e vão viver do quê? Eu sobrevivo se não pagar impostos, mas, e o governo, viverá sem recebê-los?
Pois bem, voltando ao Manoel de Abreu. Passaram-se mais de 30 dias e nenhuma ligação. Eu liguei várias vezes. Em umas atenderam, em outras não. Em 16/10/2007, liguei novamente e a atendente marcou para o dia seguinte, às 7h30. Compareci e, no balcão, a atendente pediu para eu assinar em frente aos pedidos de exame (quatro assinaturas). Ombros direito e esquerdo, frente e perfil, pés direito e esquerdo frente e perfil , totalizando oito radiografias. No encaminhamento para o radiologista, constavam todos os pedidos. Fui chamado pelo radiologista para as radiografias e o mesmo pediu para que eu juntasse os pés e tirou uma única radiografia dos pés. Nos ombros duas, direito e esquerdo. Questionei o motivo e o radiologista informou que era o suficiente, pois, tiradas naquela posição, daria para o médico ver bem. Com certeza, será cobrado do SUS as oito radiografias e, na verdade, foram tiradas três.
O mais assombroso de tudo é que, devido a um acidente em 1995, eu não tenho cartilagem em boa parte do pé esquerdo. Tenho artrose. E, pasmem, o resultado: contornos articulares e interlinhas de aspecto normal, estrutura óssea conservada e partes moles sem alterações. Dá para acreditar? Eu tenho exames radiológicos que comprovam o que digo. Para meu espanto, no laudo consta: três posições no ombro direito e três posições no ombro esquerdo, mais duas posições no pé direito e duas posições no pé esquerdo, totalizando dez radiografias.
Gostaria de saber: quantas radiografias foram cobradas do SUS? Quem se beneficia com tal irregularidade? Qual a responsabilidade do médico radiodiagnóstico? Qual a responsabilidade do técnico em raio X? Como fico diante do INSS, pois comprovei minha artrose com exames e atestados médicos? Ou será que existe artrose que não seja degenerativa? Ou fui agraciado com algum milagre? Eu me responsabilizo pelo que aqui escrevi. Requisição número 095052, exame realizado em 17/10/2007, convênio SUS. Com a palavra o SUS e a Secretaria de Saúde Estadual e Municipal .
Newton de Campos Mello Filho - RG 5.718.516