Às vezes, o simples ato de olhar pela janela conduz a reflexões. Em frente ao mundo que se abre diante do olhar, há diversos elementos que servem para instigar o pensamento. Ao observar um pé de jambo, não pude deixar de pensar a respeito dessa planta. O jambeiro não é uma árvore brasileira. Originou-se no sudeste da Ásia. Foi trazido ao País pelos portugueses e vive mais de 100 anos. Na época da floração, costuma exalar um perfume adocicado. É conhecido pelos ingleses como rose-apple, por produzir uma fruta amarelada, com leve gosto adocicado e aroma de rosas.
O fruto engana quem nunca teve a oportunidade de prová-lo. Parece consistente e envolvente com seu perfume de rosas. Parece carnudo e saboroso. Brinca com os olhos humanos - que se deixam enganar com freqüência -, e, de forma marota, fisga a atenção. Lá se vão pedras, pedaços de galhos e chinelos em uma só direção: a do jambo maduro. Várias tentativas - o jambeiro, muitas vezes, é alto - e se tem o primeiro acerto. A gravidade faz seu papel e atrai ao chão o pequeno fruto que, em contato com o solo, muitas vezes se espatifa e acaba com a mentira. Espatifado no chão, revela que é vazio, sem consistência. Por dentro, apenas uma semente.
É comum algumas pessoas se passarem por jambo. Aparentam ter consistência, sumo, substância, mas, no fundo, são ocas, vazias. Apenas um vácuo de insensatez e inverdades. Pregam uma coisa, fazem outra. Mostram-se fortes, mas são fracas. Assim como o jambo, que aparenta ser um fruto carnudo, mas é, na verdade, oco.
É importante aprender a diferenciar as pessoas não pelo que falam, mas pelo que fazem, pois o discurso é sempre belo, assim como o perfume do jambo é sempre doce. Por isso, a cautela com as pessoas-jambo é fundamental.
Juliano Schiavo