08 de julho de 2026
Internacional

Monges retomam protestos em Mianmar

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Pakokku - Cinco semanas após a violenta repressão da ditadura ter esmagado protestos antigoverno em Mianmar, monges budistas retomaram marchas nas ruas do país ontem.

De 100 mil manifestantes que protestaram no auge da última onda pró-democracia, em setembro, a quantidade de participantes caiu para cerca de 200 - mas o número impressiona pela resistência à brutalidade das forças de segurança birmanesas, acusadas de matar, torturar e deter centenas de ativistas pacíficos. A marcha de ontem, a primeira após a reação violenta da ditadura aos protestos, ocorreu durante cerca de uma hora na cidade de Pakokku.

O local é o mesmo onde, em 5 de setembro, a agressão de um policial a um monge transformou pequenas manifestações contra aumentos de preços em grandes protestos liderados pelos religiosos budistas. Rapidamente, o movimento se tornou pró-democracia, evidenciando a insatisfação popular com a miséria do país.

O governo admite que dez pessoas morreram na repressão, mas segundo dissidentes o número pode chegar a 200, além de 6.000 detidos. A marcha de ontem não entoou frases políticas, mas sim cantos e orações.

Segundo a rádio dissidente Voz Democrática da Birmânia, baseada na Noruega, os monges declararam que manterão suas demandas inicias: a libertação de prisioneiros políticos, a queda nos preços e a reconciliação da ditadura com a oposição.

A volta dos protestos ocorre poucos dias antes do retorno ao país do enviado da ONU Ibrahim Gambari, que tentará negociar a reconciliação.