09 de julho de 2026
Geral

Nonagenária: toda semana no cemitério

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Hoje, Dia de Finados é a ocasião em que os cemitérios ficam lotados de visitantes e enfeitados por flores em homenagem a entes queridos. Enquanto a maioria deixa para visitar os túmulos dos familiares e amigos mortos somente nesta data, Leontina Leoni não falta nenhuma semana. Aos 93 anos, apesar da idade, todos os domingos, ela cuida de túmulos dos parentes no Cemitério da Saudade, em Bauru. “É mãe, irmão, marido, cunhada, sobrinho, muita gente”, conta.

O hábito teve início há 35 anos, quando ela perdeu a filha. Chegou a ir ao cemitério quase todos os dias, de manhã e à tarde, até que as irmãs implicaram. “Pegaram no meu pé porque eu vinha muito”, diz rindo. Dona Leontina mora a três quadras do cemitério e, sozinha, vai todo o domingo fazer orações para os familiares. Mas ainda gostaria que a visita fosse mais freqüente. “Se não fosse o meu reumatismo, que não me deixa andar muito, vinha mais”, confessa.

Para fazer a manutenção das lápides, dona Leontina conta com a ajuda da zeladora Maria Tereza Alves da Silva. Há cerca de 30 anos trabalhando no local, Maria Tereza observa queda no movimento de visitantes no decorrer do ano. Segundo ela, casos como o de dona Leontina, são poucos. “Os idosos estão indo embora e os jovens não vêm aqui. Não mantêm esse hábito”, relata.

Dona Leonice Bastos é uma das pessoas que deixaram de freqüentar o cemitério semanalmente. “Eu vinha sempre, é um lugar gostoso. Mas mudou muito, hoje em dia é muito assalto, violência”, diz. A sua filha, Maria José Bastos Casanova, lembra que brincava no cemitério durante sua infância. “Eu e minha irmã vivíamos aqui. Brincava, corria, conhecia isso tudo aí”, diz, apontando para os corredores do Cemitério da Saudade. Ela diz que nunca teve medo e achava divertido passear pelo local.

Bem humorada, para a data de Finados, dona Leontina comprou vasos de flores e ramalhetes para distribuir nas lápides da família. Neste ano, o filho e o neto a ajudaram a enfeitar os túmulos dos familiares mortos, de quem ela se lembra com orgulho. “Fui mãe de nove filhos, avó de 23 netos, e tenho 33 bisnetos”. Contudo, o hábito de visitar o cemitério com freqüência deve encerrar-se com a matriarca da família. “Eu não venho sempre não. Só em Finados e Dia das Mães visito a minha esposa que esta aqui”, conta Sylvio Torneiro, filho de dona Leontina. Sobre o lugar em que deseja ser enterrada, ela não tem dúvida: “Aqui, junto com os familiares”, afirma.